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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

13
Ago18

Grupos de mães no Facebook #15

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Estava a ver que hoje não me conseguia sentar a escrever a habitual publicação das Segundas-feiras mas parece que finalmente os putos decidiram dar uma pequena trégua e pode ser que a coisa saia. Ora bem, como a hora já vai adiantada e já estamos todas a cair de sono, vamos mas é despachar isto sem demoras. Esta semana é em modo "um bocadinho de tudo" porque não tenho tido tempo sequer para dormir quanto mais para agrupar os prints por temas. Vá, segurem-se bem porque vamos saltar de cabeça em 3, 2, 1...

 

1. Olá mamãs. Desta vez venho aqui para fazer um desabafo... Então vocês acreditam que mandei um e-mail à pediatra do meu filho a pedir uma ajuda e recebo uma resposta daquelas automáticas a dizer que a senhora doutora se encontrava de férias em família fora do país, que responderia logo que regressasse a Portugal (o que só acontece dia 18), e que, para casos urgentes, devia recorrer a um serviço de urgência. Como devem imaginar estou indignada e furiosa, quando lhe vou largar os 75€ nas consultas nunca se queixa e agora que está de férias lixou-se nos miúdos, desculpem lá a expressão. O que é que vocês acham disto?

Acho mal, com certeza que acho mal. Se fosse eu a mandar neste país os pediatras passavam a levar com as mesmas regras dos padres da Igreja Católica que é como quem diz que eram todos proibidos de casar e ter filhos. Realmente não se percebe, então a médica vai de férias com os filhos dela e deixa cá os filhos dos outros? Mas os pediatras não percebem que se a gente precisa deles para criar os nossos é óbvio que não podem andar a passear os deles? Porra, uma pessoa assume que para ser médico é preciso ser inteligente mas afinal vai-se a ver e são uns poucochinhos. Eu se fosse a si escrevia para o colégio da especialidade de pediatria da Ordem dos Médicos e denunciava a situação. Agora quem é que vai ver as três borbulhinhas que a sua filha tem na coxa? Quem é que vai aconselhar um bom creme para a pele seca? Ah, espere, a situação é grave? Nesse caso posso sempre recomendar-lhe que vá à urgência. Ups, isso a pediatra já fez, não foi? 

 

2. Mamãs, como é que trataram a crosta láctea dos vossos bebés?

Pronto, uma publicação normal, aparentemente inócua. O tipo de publicação que faz sentido num grupo de mães. A crosta láctea é uma coisa comum, não faz mal recomendar um creme ou uma pomadinha que geralmente não são sequer fármacos, enfim, tinha tudo para bater certo. Só que não. Porque no meio dos comentários há um que diz o seguinte:

"Conheço uma receita que nunca falha. Junte duas colheres de sopa mal cheias de açúcar a duas claras de ovo e mexa sem ser demasiado. Depois..."

Opá, quando cheguei a esta parte o meu coração até pulou de alegria, juro que pensei que a continuação fosse "leve ao forno a 180ºC até alourar. Para confirmar se está cozido espete um palito no centro e veja se sai seco." Mas não, a continuação era "unte a cabeça do bebé e deixe secar, retire a película que se forma a puxar lentamente e, depois de retirada, dê banho e passe um pouco de óleo de amêndoas doces". Foi todo um turno off para mim, acreditem. Pensei que tinha encontrado a bruxa da casinha de chocolate do Hansel e Gretel e afinal era só mais uma maluca qualquer da internet. Porra.

 

3. Boa noite mães. Nem sei bem como trazer este tema aqui mas enfim... O meu marido agora insiste porque insiste em provar o meu leite. Só que quer provar directamente da mama e eu não me sinto nada confortável com isso. O leite é para a minha filha, não sei se acho bem o meu marido aqui a mamar. E se ele depois gostar? O que é que vocês pensam disto?

Epá, assim de repente o que me ocorre é que se ele depois gostar podem experimentar vender para fora. Engarrafado é claro, até porque já chega de gente pendurada aí nas mamas. Mas atendendo a que parece que o leite materno tem propriedades de curar tudo e mais alguma coisa aposto que tem mercado. E o nosso país precisa de projectos empreendedores e de gente jovem com vontade de inovar. Ou então, como as mamas são tuas (e da tua filha), podes sempre seguir a sugestão do grande poeta português Quim Barreiros e mandar o teu marido mamar antes nos peitos da cabritinha. 

 

4. Olá, bom dia. O meu filho acabou de lamber uma colher que apanhou na ponta da bancada que tinha sido utilizada pela minha sogra para misturar café de cevada no leite. A colher ainda estava suja e eu estou furiosa e em pânico. Já discuti com o meu marido e tudo. Acham que há alguma coisa que possa fazer?

Porra, que nojeira. Meta já o puto a bochechar com clorexidina e depois passe-lhe um bocadinho de água oxigenada nos dentes. Se mesmo assim não ficar descansada provoque-lhe o vómito para ter a certeza que não ficou nem um bocadinho da saliva da sua sogra dentro do puto. Agora a sério, há putos que lambem piaçabas mulher, tenha lá juízo. Vale mesmo a pena entrar em stress por um bocado de café com leite (que deve ter sido numa quantidade microscópica). E olhe que eu nem sou de intrigas mas, cá para mim, quando o puto fica em casa dos seus sogros até lancha a meias com a avó assim do tipo: um golinho no leite, uma dentada na carcaça com manteiga sendo que, obviamente, a caneca e a carcaça servem para avó e neto numa perfeita comunhão de saliva familiar. Vá, relaxe e deixe lá de ver crocodilos dentro da máquina da loiça. Está tudo bem senhora, tudo bem.

 

5. Olá mamãs. Tenho um bebé de quatro meses e estou a tomar a pílula de amamentação mas tenho-me esquecido muitas vezes. Como comecei a andar enjoada fiz um teste de gravidez que deu positivo. Acham que pode ser? Será real?

Ai não que não pode. Eu compreendo que te desse mais jeito que fosse uma gravidez imaginária, assim uma coisa surreal, mas parece-me que andaste a pinar e a vida te passou a factura dos esquecimentos da pílula. Sabes o que é que me diziam a mim? "Alegra-te que assim pegados custam menos a criar". Mas eu não te vou dizer o mesmo porque é mentira. Dá uma trabalheira tão grande mas tão grande que nem imaginas. Mas vais imaginar. E já só faltam seis mesinhos. Muita sorte, sim?

 

Pronto, para a semana há mais. Espero que mais cedo e em melhorzinho!

 

*Imagem retirada do Google

08
Ago18

O filho depois da diferença

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Perguntavam-me como é que se parte para uma segunda gravidez quando o nosso primeiro filho é uma criança diferente. Na verdade nunca olhei para as coisas dessa forma. Raramente me lembro que o Pedro tem uma diferença que o distingue das outras crianças uma vez que, com o passar do tempo, a surdez dele tornou-se uma coisa perfeitamente natural para mim. Quando olho para ele os meus olhos só vêem perfeição infinita.

 

Ainda assim não é como se nunca tivesse pensado sobre isto, não é como se nunca tivesse sentido medo mas o que realmente importa é que o João nunca veio com a função de colmatar o que quer que fosse. O João veio para ser aceite e nunca para compensar isto ou aquilo. A verdade é que me faz uma confusão imensa aquela coisa do tentar desesperadamente ter outro filho para poder ter uma criança "normal". Aliás, raios partam o conceito de normalidade, estou fartinha de o dizer. O normal para o meu Pedro é não ouvir, porque raio havemos nós de encarar isso como um desvio? É assim que ele é, foi assim que nasceu, não é possível que, para ele, haja alguma coisa mais normal e natural que isto.

 

O que me parece fundamental é que pais com um filho diferente não vivam uma nova gravidez na expectativa de que o filho que aí vem seja tudo aquilo que o outro não é, independentemente do problema do primeiro filho. Se foi um alívio quando o João passou no rastreio auditivo? Foi. Mas se não tivesse passado tinha em mim uma certeza absoluta: o João seria tão estupidamente amado como o irmão é. E foi isso que fez toda a diferença na decisão de avançar com a chegada de outro filho. É o facto de sabermos que os vamos amar e aceitar venham como vierem.

 

É evidente, contudo, que nem tudo são rosas e os pais que têm filhos com necessidades especiais sabem do que falo. A nossa vida é mais cansativa, dividimo-nos entre terapias fora mas também dentro de casa, temos mais consultas, mais visitas a hospitais, gastamos mais dinheiro. Mas também temos um gosto maior a cada pequena conquista, também nos tornamos mais resilientes e aprendemos a esperar. Se um segundo filho com problemas pode complicar-nos mais a vida? É claro que sim. Mas no fundo sabemos que vamos conseguir.

 

Uma coisa em que acredito é que só devemos partir para mais filhos depois de aceitarmos inequivocamente o problema do primeiro, depois de conseguirmos dizer alto e com todas as letras o nome da deficiência ou da doença que o assola. O segundo filho não pode ser a peneira que vai tapar o sol nem a ajuda maior à negação do problema do outro. Os filhos não são prémios, não servem para ser mostrados. Posso soar um bocadinho mística agora mas os filhos são um dom, uma oferta da vida. Quando essa oferta não corresponde à "perfeição" que a sociedade define pode não ser fácil aceitar mas, por muitos filhos que vierem, o problema não vai deixar de existir e, por isso, o meu conselho é que, em primeiro lugar, aceitem a diferença. Quando a aceitarem vão perder o medo, vão entregar à sorte, à genética ou a Deus, conforme as crenças de cada um, e vão perceber que vale a pena arriscar e seguir em frente, sem medos. Venha o que vier.

 

*Imagem retirada do Google

06
Ago18

Grupos de mães no Facebook #14

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E pronto, Segunda-feira outra vez. Aposto que estão todas de férias e eu aqui sem dormir, não é? Enfim, mesmo de férias vão ter que levar com a rúbrica das Segundas-feiras que isto não é só para quando se está a trabalhar... Em princípio já ninguém se lembra mas antes de ir só ali ter o bebé tinha prometido que o tema da semana seria assim uma espécie de coisa híbrida entre as páginas centrais da revista Maria e as da defunta publicação Ana (Mais Atrevida). E voltei para cumprir a promessa. Tentando não baixar muito o nível preparem-se para uma alucinante viagem ao mundo dos relacionamentos, cheia de dúvidas e questões de elevada pertinência.

 

1. Desde que o meu menino nasceu o meu marido perdeu todo o interesse em mim. Só pensa no bebé e não me toca sequer com um dedo, já lá vão três meses. Começo a pensar que se calhar é por isso que algumas mulheres vão procurar na rua aquilo que não têm em casa. Será assim tão criticável?

Caraças, isto começa a ser recorrente mas vou mesmo ter que voltar a fazer soar o "alerta corno". Já tenho pena dos homens, a sério. Se o marido só pensasse naquilo que a gente sabe ela queixava-se que ele não compreendia, como o marido só pensa no bebé ela queixa-se que o marido não pina. As mulheres são realmente um bicho complicado. Ainda assim não deixa de ser curioso que a pessoa venha para as redes sociais buscar aprovação para encornar o pai da criança. Não sou só eu quem acha que este "será assim tão criticável?" é um pedido para que as outras mães respondam "não é não senhora, dá-lhe com força e sem remorsos", pois não? Enfim. Alerta corno activado, podemos seguir.

 

2. Olá mamãs, sinto que estou a perder o meu namorido. Já pensei em mil coisas para o fazer voltar a interessar-se por mim mas parece que nada resulta. Alguém tem alguma ideia? Aceito todas as opções.

Pronto, a pergunta vem de uma mulher desesperada e, portanto, damos o devido desconto. Mas nesta publicação o que ganha, claramente, são as respostas. Desde posições sexuais que só devem ser ensinadas em escolas de contorcionismo até receitas que de certeza o vão prender pelo estômago, apareceu um bocadinho de tudo. Mas a melhor de todas dizia assim: "minha querida, vou ensinar-te uma simpatia que nunca falha. Só tens que arranjar uma planta aí para casa e escrever o nome do teu amor num papel. Depois enterras esse papel na terra do vaso, de maneira que fique completamente coberto e todas as noites regas a planta. No primeiro dia da tua menstruação em cada mês deves deitar umas gotinhas do teu período no vaso. Podes ter a certeza que assim não o perdes, tenho o meu preso assim há mais de onze anos".

 

E agora tantas são as questões que se levantam... A pessoa tem o marido preso por gotas do período e vive bem com isso? Não devia antes preferir que ele estivesse preso por coisas assim parvas tipo o amor, o companheirismo, a amizade? E depois a parte prática caraças... Como é que se colhem umas gotinhas de período? Temos todas que usar o copo menstrual? E quantas são as gotinhas? É que se é para fazer que seja bem feito. Outra merda que não me sai da cabeça... E se a planta morre? O que é que acontece ao amor? É que com o bafo que tem estado nem para as plantas fica fácil. Pois que isto das simpatias é tudo muito bonito mas as estudantes de Hogwarts têm que perceber que nós, muggles, precisamos sempre de instruções detalhadas. Ou então de uma linha para onde reclamar se o bruxedo der merda.

 

3. Ando numa desconfiança tramada. Ultimamente sempre que o meu marido está online no whatsapp há uma colega dele que está online também. Ele já teve um caso com esta colega no início do nosso casamento. Há cerca de um mês encontrei um monte de chamadas dela no telemóvel dele e quando o confrontei ele negou tudo e desde aí que apaga os registos todos seja de chamadas efectuadas ou recebidas. Digam-me por favor que isto são tudo coisas da minha cabeça e que não se passa nada. Sinto-me a enlouquecer.

Oh amiga, isso são tudo coisas da tua cabeça. Não se passa nada. Mas vou só aqui voltar a tocar o alerta corno. Não é por tua causa nem nada. É só porque me apetece, gosto do som que faz.

 

4. O meu marido dormiu fora. Não sei onde nem com quem. O que faço?

Ok, isto hoje é o dia das mulheres desesperadas e temos que ser solidárias umas com as outras. Felizmente que não faltou gente cheia de boas ideias a comentar a publicação. Escolham, por favor, a vossa resposta preferida:

a) "Quando ele chegar prepara água para ele tomar um banho e faz o jantar. Sorri. Depois calmamente, sem o fazeres zangar, pergunta onde passou a noite."

b) "Reza, conversa com Deus e somente para Deus conta a tua história. Quando o teu marido chegar trata-o como de costume. A Bíblia diz que assim amontoarás brasas vivas na cabeça dele. A Bíblia diz também que a palavra branda desvia o furor e que a dura provoca a ira."

c) "Pergunta-lhe com jeitinho onde esteve. Ele responderá."

 

E, finalmente, a minha resposta:

d) " Agarra em dois sacos pretos daqueles de 50l do lixo. Mete as merdas dele lá dentro. Fecha os sacos. Acende um fósforo. Puxa fogo aos saquinhos. Mete as cinzas num pote. Escreve um bilhete a dizer 'se voltas a aparecer aqui à porta as próximas cinzas vão ser as tuas'. Depois vai preparar um banho e vai jantar fora. Se quisere rezar, reza."

 

E é isto. Tinha mais duas publicações giras para dissecar mas os meus filhos não estão a colaborar nadinha. Cada vez que sento o rabo o mais velho tem sede e o mais novo chora. A ver se isto para a semana é feito com mais qualidade.

 

*Imagem retirada do Google

** As questões 2 e 4 são provenientes de grupos de mães brasileiros (a César o que é de César!)

 

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