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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

15
Out18

Grupos de mães no Facebook #23 (versão brasileira, parte II)

biscoito com geleia.jpg

 

E aí galera, tudo em cima?

Esta semana continuamos com o pezinho no país do grande Jorge Amado e confesso que a matéria prima é tanta que nem tenho vontade de o tirar de lá. Deixa lá ver se é já para a semana que regressamos ao velho continente ou se ficamos só com viagem marcada para o especial de Halloween no dia 29…

 

1. Olá mamães, depois que a minha filha nasceu, além de não dormir direito, perco o sono e acordo assustada ao ouvir os barulhos dela. Acontece com mais alguém?

Não querida, acontece só contigo mesmo. Até porque toda a gente sabe que uma das características das mulheres que foram mães há relativamente pouco tempo é dormirem muito e bem. É isso e estarem emocionalmente equilibradas e no pináculo do seu potencial cognitivo. Cá na minha modesta opinião és uma raridade tão grande que devias escrever um livro.

 

2. Meninas, senti hoje o meu bebé mexer pela primeira vez. Estou com 11 semanas e 3 dias. Que alegria imensa, que sensação maravilhosa. Sou grata.

Não é o bebé, são gases. Mas acho que deves estar grata sim, pelo menos sabes que não tens ileus paralítico e sempre estás livre de levar com uma sonda rectal.

 

3. Estou grávida de 16 semanas e meu marido está esquisito comigo. Vi um chupão no pescoço dele e arranhões nas costas. O que faço?

Opá, mas porquê é que eu tenho sempre que ensinar tudo às pessoas? Atenta lá bem no que te vou explicar passinho a passinho:

  1. Pedes a uma amiga enfermeira uma seringa cheia de cetamina.
  2. Quando o teu marido estiver a dormir ferrado espetas a seringa (já com agulha) numa nádega do desgraçado e enfias aquilo tudo lá para dentro.
  3. Vais à cozinha buscar a tesoura de trinchar o frango.
  4. Cortas a pila ao teu marido.
  5. Voltas à cozinha.
  6. Metes a tesoura na máquina da loiça e a pila no copo da bimby.
  7. Programas trinta segundos, velocidade 9.
  8. Foges para um país sem acordo de extradição com o Brasil.

Não precisas agradecer, foi de coração.

 

4. Oi meninas, estou com uma dúvida imensa. Tive relações com três pessoas diferentes. Dia 8 de Setembro tive relação sem camisinha e ele não gozou, dia 11 começámos sem e depois ele colocou para terminar e dia 15 foi sem camisinha e também não gozou. A ultra de dia 9 de Outubro diz que estou de 5 semanas. Quem será o pai?

Ai, não posso, mais uma musa dos “chave d’ouro”; agora é uma todas as semanas, que maravilha. Vá, falando muito a sério, assim só pelas datas não dá para perceber. O melhor é pedires pensão de alimentos aos três que sempre é uma boa ajuda para os medicamentos da gonorreia. Ou da sífilis. Ou de ambas. (Preservativo sempre sua anta!!!!)

 

5. Meninas, minha mãe se chama Rosa e minha sogra Sulfina. Aí a gente pensou chamar Sulfurosa pra menina mas tá todo mundo achando meio esquisito. O que é que vocês acham?

O que eu acho? Assim de repente acho que estou sem palavras. Felizmente que o dicionário não:

Sulfuroso = relativo a enxofre.

Agora pensa.

 

6. A maioria dos bebés não aceita bem comida depois do sexto mês, principalmente se estiverem somente no peito. Minha filha começou a comer geleia com biscoito e banana esmagada com três meses. Hoje com sete meses come de tudo. E vocês, como fizeram por aí?

Bolachas com geleia aos três meses? Muita fraquinha. Os meus ainda não tinham feito os quinze dias e já estavam sentados no Ramiro a despachar duzentos gramas de percebes e a rir à gargalhada a ver os turistas chineses aflitinhos para partir as patas da sapateira. Mas já agora, só por curiosidade… A tua filha teve o quê primeiro, as cáries ou os dentes?

 

E pronto, desculpem lá qualquer coisinha mas ainda estou com a excitação do anúncio do livro! É verdade, apesar da página de Facebook ser a ferramenta que mais uso, também criei uma conta no Instagram. É capaz de ser a conta com menos glamour do mundo mas pronto, se quiserem seguir já sabem @a.mae.imperfeita! 

09
Out18

Grupos de mães no Facebook #22 (versão brasileira)

 

Bandeira do Brasil.png

 

Já cantava o Rui Veloso que o prometido é devido e, por isso, esta semana temos o samba no pé. Apertem os cintos que vamos descolar com destino ao Brasil em 3, 2, 1...

 

1. Meninas, minha filha não estava fazendo cocó e aí eu fui no pediatra que passou um remédio para eu dar para ajudar ela a fazer. Mas aí eu dei o remédio pela boca dela e agora minha irmã tá dizendo que esse remédio era para meter no rabinho mesmo. Será que pode prejudicar ela? Melhor ir no pediatra de novo?

Ora portanto deixa lá ver se percebo... Enfiaste um clister pela boca da criança, é isso? E nem sequer estranhaste o formato daquilo, não? A cânulazinha não te deixou a pensar que havia ali qualquer coisa de diferente? Ou acreditaste que era assim uma espécie de acessório para não deixar a miúda dobrar a língua e engolir aquilo mais depressa? E aquele papel que vinha dentro da caixinha, porque é que não o leste? Tantas perguntas senhores, tantas perguntas... Mas esquecendo as minhas e respondendo às tuas, sossega lá que em princípio o clister via oral não a prejudicou e o único mal dessa criança é ser filha de uma jumenta.

 

2. Olá, sou mãe de primeira viagem e uma amiga recomendou "raspar a gatinha" perto da época de nascer o neném. Qual a vossa experiência quanto a isto?

Assim já de caras a minha experiência quanto a isto acha que há aqui qualquer coisa que não bate certo: como é que alguém que sabe usar aspas correctamente depois usa uma expressão como "raspar a gatinha"? "Raspar a gatinha" está para a depilação perineal como "Mr.Red" está para período: é um disparate e forte indicativo de uma cabecinha oca. Mas tu até sabes usar aspas caramba; esforça-te um bocadinho que talvez ainda não sejas um caso perdido.

 

3. Meninas minha bebé tem um mês e meio e está com refluxo. É de partir o coração. Alguém tem alguma dica como amenizar o desconforto? Fui no pediatra e receitou domperidona mas eu não estou querendo dar remédio para ela não...

Se não queres dar remédios à miúda foste ao pediatra para quê? Estavas à espera que ele prescrevesse uma oração e te mandasse soprar três vezes para a testa da criança depois de lhe dares o leite? Dá mas é a porcaria da domperidona à criança que lhe faz mil vezes melhor do que os chás de ervas e as outras parvoíces todas que te estão a aconselhar nos comentários. Mas olha ao menos a tua pergunta fez-me perceber que não é só aqui na Tuga que as mães levam os putos ao médico e depois vêm para o Facebook questionar as prescrições com advogadas, costureiras, empregadas de restauração e engenheiras agrónomas. Para mal dos nossos pecados a burrice é claramente um fenómeno global. 

 

4. Me tire uma dúvida: a minha data prevista de parto pelo ultrassom é 19/05/2019. Tive relações com sujeito A dias 19, 20, 24 e 25 de Agosto e com sujeito B dias 22, 29 e 30 de Agosto. Qual é o pai do meu bebé?

"A Maria tinha uma quantia de dinheiro da qual gastou 35% e ainda ficou com 87€. Qual o valor que a Maria tinha inicialmente?"

Vá, podes responder e lançar outra pergunta, vamos fazendo assim à vez que eu adoro estas disputas intelectuais. E escusas de estar a achar estranho porque essa pergunta que fizeste parece a porra de um problema de matemática só que daqueles de nível de dificuldade elevado. Tão elevado que é capaz de ser impossível de resolver.

(Atrevo-me a arriscar dizer que o pai é aquele com quem não usaste preservativo.)

 

5. Olá meninas, sempre que deixo meu filho com outras pessoas ele chora muito. Daí a minha sogra falou para eu passar uma roupinha dele na minha vagina para ficar com o meu cheiro e eu dar para ele quando não tô. Mas eu achei meio esquisito. Vocês acham o quê?

Meio esquisito? É mas é esquisito por inteiro. Fod@-se há gente muito doente no mundo.

 

E pronto, só para avisar que para a semana, se vocês não se importarem muito, continuamos em modo Brasil que ainda tenho ali mais uma carrada de prints dos bons (ou dos muito maus, depende do ponto de vista). Inté galera!

04
Out18

Educação queque

 

Educação Queque.jpg

 

Parou tudo. Parou tudo porque a queridíssima Paula Bobobe, pessoa que costuma comparecer a eventos sociais mascarada de urubu embalsamado e que normalmente escreve livros sobre as dez maneiras mais elegantes de dobrar guardanapos, tem agora nas livrarias um verdadeiro manual sobre a melhor forma de educar as pulguentas das nossas criancinhas. Confesso que depois do último livro desta autora, intitulado domesticália e onde se ensina o patronato a lidar com a criadagem, estou agora mortinha para ver o que é que a pessoa tem para dizer sobre a maternidade. E enquanto não arranjo tempo para comprar a obra vou analisando os excertos que a Sábado nos mostra hoje.

 

 

No capítulo 3 

"Alguns pais desempenham o papel das mães, adormecem os filhos, ouvem os problemas da escola e outros assuntos pessoais."

Ai Paulinha, Paulinha que ainda isto nem aqueceu e já vamos discutir. Mas que conversa é esta do papel das mães? Eu assim de repente vejo dois papéis exclusivos à mulher: parir e amamentar. O resto é papel dos dois. E isto é tão válido para mim que descasco a fruta para dentro do prato do segundo como para a Paulinha que usar nove talheres por refeição, percebe? Não há nenhuma tarefa relativa aos filhos que não possa e não deva ser partilhada por ambos os progenitores*. Nenhuma.

 

No capítulo 4

"As roupas devem ser práticas, podendo ser caras ou baratas."

Bolas, que alívio. Ainda bem que a Paulinha faz esta ressalva que eu já estava aqui aflita a pensar que não nos autorizava a vestir os putos com umas roupinhas mais económicas e lá se tinham que ir 3/4 das farpelas dos meus putos à vida.

 

"É importante começarem a usar as chamadas 'palavras mágicas': olá mãe, está boa?"

Bem diz a Paulinha que o seu carma é ensinar... Veja lá bem que eu andava enganadíssima (sim Paulinha, nós que limpamos a nossa própria sanita também usamos superlativos) e pensava que as palavras mágicas era coisas do tipo "por favor", "obrigada", "com licença". Em última instância até um "abracadabra" me parecia aceitável. Mas um "olá mãe, está boa?" nunca pensei que também fosse. Enfim, já dizia o outro que isto é viver e aprender.

 

"A partir dos três anos a criança já se poderá começar a habituar a sentar à mesa às refeições para aprender a conviver com a família."

Ai podemos tirá-los logo da jaula aos três anos e sentá-los à mesa? E eu tinha ideia que não convinha nada antes da idade escolar... Aqui a Paulinha que me desculpe mas o meu por via das dúvidas vai ficar mais uns aninhos enjaulado que já se sabe que não tenho "criadas domesticadas" como as suas para esfregarem as nódoas de comida das toalhas e assim.

 

"Geralmente dá-se mais mimo às raparigas que aos rapazes."

Oh Paulinha conte lá aqui à gente, esta afirmação é feita com base num estudo com que amostra? É que pela sua experiência não deve ser porque nunca teve filhos rapazes para poder comparar. Eu como sou sua amiga vou contar-lhe que, sendo mão de dois, ainda nunca lhes bati com uma vara de marmeleiro, nunca os deixei em privação de sono e nunca lhes dei banhos de água gelada para enrijar os ossos. Se eles um dia sentirem falta dessas coisas que façam o curso de Comandos. Por agora têm os rabos (pode dizer-se rabo, não é? Cu é que não.) cheios de mimo. Tanto como teriam se tivessem nascido meninas.

 

Capítulo 6

"O pequeno-almoço e o lanche são importantes."

A sério? Ninguém diria. Sabia também que estar vivo é o contrário de estar morto? E não sou eu que digo, é uma colega sua, pessoa de bem que, tal como a Paulinha, sabe imensas coisas que os comuns mortais desconhecem.

 

Capítulo 7

"O homem é o único animal que tem que trabalhar".

Infelizmente confere. Mas há sempre aquela coisa como os porcos do Orwell: trabalhar todos trabalham, mas uns trabalham mais que os outros. E depois há uma percentagem que ganha dinheiro a escrever parvoíces e lugares comuns. 

 

Contra o risco de bullying será recomendável apresentarem-se com um ar limpo, cabelo em ordem e uma atitude decidida."

E pronto, a gente banha os putos, baixa-lhes a gadelha com um bocado de gel e diz-lhes que metam o peito para fora nos corredores que nunca mais ninguém se mete com eles, é isso? Não sei porquê mas desconfio que não chega... De qualquer forma eu não sou psicóloga nem pedagoga, não percebo nada da poda. Mas espera lá... A Paulinha também não é, pois não? Bem me parecia...

 

Capítulo 8

"A televisão criará a paralisia psíquica."

E eu que pensava que ainda não havia televisões durante a infância da Paulinha. Afinal olha, está explicado. Foi disso, não foi?

 

Capítulo 9

"Ser adolescente não é uma doença."

Esqueçam, não vou citar a Lili Caneças outra vez.

 

"Basezinha", uma etiqueta para os mais novos

"Os bebés não nascem com boas maneiras". 

E ainda ela não viu os puns e os arrotos que o meu mais novo dá. 

 

"Não devem ter as mãos nos bolsos."

Devem ter cortado esta frase sem querer. A Paulinha devia querer dizer "não devem ter as mãos nos bolsos dos outros" assim numa espécie de eufemismo para o mandamento "não roubarás". É que não encontro outra justificação (mas também já assumi que sou uma ignorante nesta coisa das boas maneiras).

 

"Quando se encontra um amigo deve-se ser simpático com ele, sorrir e dizer olá. Se esse amigo levar um pequeno cão poderá fazer-lhe uma festinha."

E se o cão for grande?

 

"Não se toca nas pessoas quando se conversa com elas."

Porra, estava a ver que chegávamos ao fim e eu não conseguia concordar com nada. Mas esta frase sou capaz de a emoldurar e meter na sala de estar, na parede em cima do recuperador, onde todo e qualquer bom pobre gosta de pendurar qualquer coisinha.

 

 

*Progenitores é sinónimo de pais, sim Paulinha? Ai, disparate, esqueci-me que a querida é licenciada na Faculdade de Letras. Ainda bem que referiu isso no seu livro. Várias vezes. 

 

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