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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

14
Mar18

Vacinem-se porra!

 

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Em 1998 um médico inglês, pago por organizações anti-vacinas e com base num pseudo-estudo realizado com doze crianças, fez sair um artigo onde relacionava a inoculação de vacinas com o aparecimento de autismo e, desde aí, por muito que se tenha desmontado tudo o que vinha referido no artigo, quase letra a letra, nunca mais as coisas foram iguais. Houve meia-dúzias de "cães que agarraram o osso" e nunca mais o largaram, até hoje. E se seria de esperar que com o tempo o movimento anti-vacinas fosse sendo esmagado pelas evidências a verdade é que, contrariando toda a lógica, o movimento cresceu. Baseado em premissas falsas e aproveitando-se da ignorância de muitos (manipulada pela pseudo-inteligência de outros) temos o movimento mais forte do que nunca.

 

Reparem, Itália que é já ali ao lado, e é um país desenvolvido com um bom serviço nacional de saúde, teve 5006 casos de sarampo diagnosticados em 2017. Se isto não fosse tão assustador quase que dava para rir. E nós, aqui em Portugal, estamos igualmente em maus lençóis e, por muito que a Direcção-Geral de Saúde se esforce por acalmar as hostes, a verdade é que perdemos a imunidade de grupo uma vez que a percentagem de imunes ao sarampo baixou para cerca de 94%. Trocando por miúdos e não querendo lançar o pânico, esta perda de imunidade significa que não é possível prevenir uma epidemia. E olhem, não sei se é novidade para alguém mas... O sarampo mata.

 

Já uma vez escrevi isto e nem me vou dar ao trabalho de mudar uma única letra mas, num país como o nosso, onde o estado é quase uma figura parental, não faz nenhum sentido que as únicas vacinas legalmente obrigatórias sejam as do tétano e difteria. Se o estado me obriga a usar capacete sempre que me monto numa mota, sendo que a sua não utilização só me coloca em risco a mim própria que até sou maior de idade e consciente das minhas escolhas, como é que é possível que fique cego perante as dezenas (centenas?) de pais que recusam vacinar os filhos atentando assim contra a saúde pública? Caramba, juro que não entendo. Nenhum pai tem o direito de não vacinar os filhos, ponto. Seja porque os filhos também têm direitos seja porque os outros e os filhos dos outros são todos colocados em causa.

 

É urgente que se legisle. É preciso proteger-nos a todos. A VACINAÇÃO DEVE TORNAR-SE OBRIGATÓRIA, tal como o é a utilização do cinto de segurança, por exemplo (e acreditem que em termos de saúde pública, legislar sobre o cinto de segurança faz muito menos sentido). E lá porque meia dúzia de figuras mediáticas que, infelizmente, têm o poder de chegar a muita gente acha uma excelente ideia não vacinar isso não quer dizer que a ideia seja inteligente. Querem uma prova que a corrente anti-vacinas é ridícula? Um dos seus maiores defensores na América é Donald Trump. E com isto suponho que fique tudo dito. É uma corrente de maníacos, baseada em pressupostos falsos e mil vezes desmontados que se inicia num artigo desacreditado por toda a comunidade médica e que só faz sentido em cabecinhas desprovidas de conhecimento.

 

Há uma hora a Direcção-Geral de Saúde divulgava que já são sete o número de casos de sarampo confirmados no hospital de Santo António, no Porto. É aqui em Portugal, é connosco. Espero muito que isto fique por aqui mas, honestamente, enquanto não se legislar a sério duvido que se consiga travar a bola de neve. 

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