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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

28
Fev18

Posso trocar o X pelo Y?

Em dias como hoje muito gostava eu que me nascesse uma pila. Chiça. As mulheres, que podem ser o melhor do mundo, quando querem são umas autênticas cadelas (no pior sentido do termo). Sabotam-se umas às outras com a mesma facilidade com que calçam um par de meias de manhã. Sabem aquela coisa do "os amigos vêem-se nos piores momentos"? É mentira. Mil vezes mentira. É na morte que as hienas se aproximam. E há mulheres assim, necrófagas, que se alimentam da decomposição dos outros, que crescem e se fortalecem na mesma proporção em que os outros mirram e desaparecem. Há mulheres que farejam o pior momento dos outros e nessa altura chegam-se, estendem a mão, estão disponíveis. A gente até pode pensar que é bondade mas é tudo um engodo. Por dentro elas estão a crescer, a brilhar. Até ficam um bocadinho contentes com a desgraça alheia, sentem finalmente que são superiores. Sabem a "amiga" que vos vê experimentar um vestido que vos faz um rabo de metro e as mamas descaídas e vos diz "leva esse que fica-te mesmo bem"? É isto mas em versão vida.

 

Mas e quando estamos bem? Quando por alguma razão o sol brilha directamente no ponto acima da nossa cabeça, quando por alguma razão somos reconhecidos e louvados? Ui, aí é vê-las a cerrar os dentes, a inveja a rasgar de dentro, as questões mal-resolvidas a apertarem a teia. E as cabecinhas começam a magicar qual a melhor maneira de apagar o brilho que as cega. Aí começam os jogos, começam as mentiras, os boatos... E há mulheres que são doutoradas nestas merdas, acreditem. Há mulheres que podem estar mal, enterradinhas na merda, mas se conseguirem levar outras com elas até atravessam melhor o purgatório. Não faz mal nenhum estar numa poça de lama desde que haja alguém enfiado na sarjeta. Há necessidade disto? É mesmo preciso saltar em bicos de pés para puxar cá para baixo todas aquelas que, com o seu esforço, conseguiram levitar um bocadinho? Tenham vergonha nessas caras cheias de base mal espalhada, pelo amor da santa. Enrolem-se sobre vocês próprias, atirem-se ao chão e arrastem-se para o vosso buraco escuro. Deixem as outras respirar. Porra, havia de me crescer uma pila.

 

 

27
Fev18

Cuidadinho aí!

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Às vezes é preciso falar a sério e hoje calha mesmo a ser uma dessas vezes. Depois de ontem ter sabido de mais uma história macabra (e já me relataram três nas últimas duas semanas) achei que era altura de trazer ao blogue o tema das intolerâncias/alergias alimentares. Em primeiro lugar, e para deixar as coisas claras, importa esclarecer que estas intolerânicas são geralmente resultado de um diagnóstico médico e isso quer dizer que existe uma patologia subjacente e, ao mesmo tempo, um risco muito real associado ao incumprimento. Ninguém está aqui a falar de mães alucinadas que, por algum motivo baseado em nada, decidiram condiconar a alimentação dos filhos. Falamos de diagnósticos reais que são um motivo de stress e de sofrimento para a criança e para a família.

 

Não sou dietista nem nutricionista e, felizmente, até ver, o meu filho não tem nenhuma intolerância alimentar mas falo do assunto com toda a propriedade do mundo porque sou celíaca e sei, desgraçadamente sei, o que é viver condicionada ao máximo em termos alimentares. Alguém que não tenha que passar por isto faz ideia do que significa não ter nenhuma oferta disponivel no bar da escola, alguém imagina o que é nunca poder comer descansado no refeitório, alguém imagina o que é ver todas as outras crianças a comer o bolo de aniversário do colega e ter que recusar, ficar ali de lado, só a ver? Esta é a realidade diária de todas as crianças com intolerâncias/alergias alimentares. É a realidade de todas as crianças celíacas, todas as alérgicas à proteína do ovo, todas as alérgicas à proteína do leite de vaca. É a realidade de milhares de crianças neste país.

 

E o que se vê, infelizmente, é que apesar do empenho de muitos, outros tantos continuam a diminuir o assunto e achar que isto são tudo "coisas da cabeça dos pais". E só isso pode justificar a funcionária do refeitório da escola que ontem deicidiu dar a uma menina celíaca esparguete com glúten, ou a da avó que insiste em dar uma língua de gato à neta "porque só uma não lhe vai fazer mal nenhum", só isso explica que o bife grelhado do menino alérgico à proteína do leite de vaca tenha sido passado com manteiga no fim "para dar um gostinho melhor", só isso explica que pais continuem a convidar meninos com intolerâncias/alergias para as festas e não tenham o cuidado de ter disponível, pelo menos, uma bolachinha que se adapte às suas necessidades de saúde.

 

Não sei quantas mais formações precisam ser feitas para que as cozinheiras percebam que a colher que mexe a massa com glúten não pode mexer a massa sem glúten, não sei quantas mais vezes será preciso reforçar que não podem preparar as sandes dos meninos celíacos com as mãos sujas do pão "normal", não sei quantas mais vezes será preciso ligar 112 por causas de choques anafiláticos que poderiam ter sido evitados com sensibilidade e cuidado. Quase todas as semanas me chegam (seja através de grupos do Facebook ou de relatos directos) histórias surreais que eu queria muito acreditar que já não aconteciam. Gostava de acreditar que, ao contrário do que acontecia há quinze anos, hoje as crianças com alergias e intolerâncias estão mais protegidas, menos solitárias e possuem muito mais escolha. Mas parece que não, parece que as coisas têm mudado demasiado devagar, parece que as mães ainda continuam a lutar contra a maré e a ser apelidadas de paranóicas quando se tentam fazer ouvir.

 

Não sei quando é que se vai legislar a sério sobre este assunto em Portugal. Apesar de algumas associações darem o seu melhor todos os dias a verdade é que, neste aspecto, o nosso país continua na cauda da Europa - e nem é preciso procurar muito, basta olhar para Espanha, aqui ao lado, e tentar perceber as diferenças que, garanto, são gigantes. As escolas continuam desinformadas e desleixadas, os restaurantes nao querem saber e até nos hospitais, onde devíamos poder estar sossegados, as coisas são surreais (experimentem ser intolerantes ao glúten e à lactose, por exemplo, e depois digam-me o que conseguiram comer num qualquer hospital deste país). Enfim. A esperança é a última a morrer e, da minha parte vou fazendo os possíveis todos os dias para mostrar que as intolerâncias/alergias alimentares não são "uma brincadeira de crianças" mas sim condições de saúde que condicionam muito a qualidade de vida e que realmente, e infelizmente, podem matar.

26
Fev18

Sempre que uma grávida sonha

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Nas últimas duas semanas os meus sonhos atingiram o limiar da loucura. Se isto continuar assim depressa vou ficar a saber o que é que existe para lá do arco-íris, que é como quem diz, qual é o estado mental que caracteriza quem já vai de louco para lá. Felizmente, e suponho que isto seja a mente a proteger-me, há sonhos dos quais só consigo recordar pequenos fragmentos mas, ainda assim, são assustadores como o raio. Eu sei que há imensas justificações para estes sonhos idiotas na gravidez e que, na maioria dos casos, não são mais do que os nosso medos que, andando amagadinhos de dia, metem as garras de fora durante a noite mas caramba... Há mínimos. E neste momento acho que não os estou a cumprir.

 

Só para terem uma ideia esta noite sonhei que o meu sobrinho mais velho (que tem vinte e dois anos) tinha feito um piercing no trago da orelha e que aquela porcaria tinha infectado assim de uma forma muito exuberante. O miúdo (sim, sim, para mim é um miúdo) ficou aflito e veio ter comigo para o ajudar sendo que eu, muito sabiamente (not!) começo a espremer aquela porcaria. E o que é que começa a sair lá de dentro, perguntam vocês? Pois, uma árvore gigante, toda branca, sem folhas, uma coisa enorme mesmo. É mau, não é? Pois, ainda não acabou. Sabem que é que estava sentado no topo da árvore? Um white walker (sim, mesmo desses da Guerra dos Tronos) com o meu bebé no colo... Percebem agora o quão más as coisas estão? Acordei em pânico cheia de medo que o puto abrisse os olhos e fossem azul gelo também.

 

Acho que já deixei aqui material que chega para me internarem numa psiquiatria mas, se não acham suficiente, no final da semana passada (em que para além da gravidez a febre me estava a fritar a moleirinha) sonhei que o meu pai tinha vindo cá a casa montar um candeeiro mas que, em vez de fazer o que lhe tinha pedido, começou a furar uma parede toda com um berbequim. E quando digo toda é mesmo toda. Dezenas de furinhos ao lado uns dos outros. Evidentemente que tive que o parar e portanto vim à cozinha, agarrei num cutelo, fui lá e... Cortei-lhe a mão. Só que a mão que eu cortei voltou a nascer e já trazia sempre o berbequim pronto para mais um furinho. Isto dezenas de vezes. Até que acordei encharcada em suor.

 

Enfim, pensava eu que o meu sonho do início da gravidez em que me nascia relva nas pernas em vez de pelos tinha sido mau. Até podia ser um bocado inestético e as bandas de cera fria podiam estar a resultar mal mas epá... Pelo menos não mutilei ninguém nem metia bebés ao barulho. Será que aumentando a dose de nausefe ao deitar acabo com o piar ao subconsciente? Tenham lá piedade.

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