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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

04
Fev18

A dieta do bebé

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Ora bem, mais um tema fracturante e que, a seguir às mamas, é capaz de ser aquele que mais fundamentalismo gera e mais discussões suscita em fóruns de mães. O que é que os bebés podem comer? Devem fazer BLW? Devem comer sopinhas? Começam pela papa ou pelas sopas? As papas devem ser caseiras ou industriais? Podemos dar frutos vermelhos com que idade? E carne de porco?

 

Ora bem, de acordo com a minha experiência, que vale o que vale, vou tentar responder a todas estas questões de forma absolutamente imparcial e coerente. Então, a coisa é a seguinte: os bebés podem comer tudo aquilo que os pais, em conjunto com os profissionas de saúde decidirem. Se o pediatra mandar dar morangos e carpaccio de novilho aos seis meses, força nisso. Se, por acaso, defender que o sushi é óptimo para o bebé, é avançar. Se os pais forem veganos e decidirem criar o puto desde os quatro meses a tofú e grão-de-bico, óptima ideia. Se, numa versão mais conservadora, a coisa começar com sopinhas de batata e cenoura é avançar sem medos. E quem diz sopinha diz batata e cenoura cozidas, assim mesmo inteirinhas mas, acreditem em mim, com BLW ou com sopa à colherada os putos vão saber mastigar quando chegarem à escola primária. Ah, já me esquecia, começar pela sopa ou pela papa é, mais uma vez, uma escolha individual de cada família e que depende de inúmeros factores como, por exemplo, o peso de cada bebé. As mães que começam pela papa não são todas umas cabras preguiçosas, acreditem e, surpresa das surpresas, nem sequer gostam menos dos filhos.

 

Quem realmente gosta menos dos filhos, isso toda a gente sabe, são as horrorosas que optam pelas papas industriais em vez das papinhas caseiras que toda a gente sabe que são muito mais ricas em termos nutricionais e feitas com muito mais rigor em termos de higiene e preservação de micronutrientes. Ou então não, pois. Juro que por causa das papas já tive tantas discussões que estava na altura da Nestlé me começar a pagar uma comissão mensal. Enfim, reparem, eu escolhi, de forma absolutamente consciente e fundamentada, dar papas industriais ao meu filho ainda que sim, é verdade, sejam mais ricas em açúcares. A questão é que também são mais ricas num porradão de outras coisas e eu consigo saber, por porção, quanto de cada nutriente lhe estou a oferecer. Agora, muito sinceramente, acho óptimo que haja quem opte pelas papas caseiras. Só não me chateiem com essa merda. Não me venham pregar sermões que eu não sou um peixe daqueles de Santo António, percebem? Os vossos comem papas caseiras? Parabéns. Boa escolha. O meu come papas industriais? Parabéns. Boa escolha. É este o espírito, certo? Cada mãe, cada pai, sabe o que é melhor para o seu filho e escolhe em consciência. Abstenham-se de críticas idiotas que, na maioria das vezes, são fundamentadas em coisa nenhuma excepto num chorrilho de disparates e lugares comuns que, de científico, têm zero. 

 

Nunca fiz uma ementa semanal para o Pedro, desgraçado, mas acreditem que está ali um belo rapagão, a manter as suas curvas de percentil desde que nasceu (e se não mantivesse duvido que isso estivesse relacionado com a ausência de programação das sopinhas). Desde que fez um ano, com excepção da carne de porco, dos frutos secos e do marisco, que ele come exactamente o mesmo que nós mas sem sal. Já provou sopa de grão com massa, açorda de alho e sopa da panela. E adora. Nunca provou aveia, quinoa ou sementes de sésamo (ia escrever sementes de chia mas olhem, até o nome me parece aparvalhado). Mas se eu fosse uma dessas mães que acreditam no alinhamento de chakras e nas cores da aura se calhar já tinha provado essas coisas todas e estava feliz e maravilhoso na mesma.

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