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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

26
Mar18

A gravidez é um unicórnio, um arco-íris e um coração

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E pronto, cá estou eu, uma grávida zangada e enjoada, sempre disposta a puxar para o lado negro todas as mulheres incautas e que ainda nunca engravidaram. Estou a brincar. Quero dizer, na parte do zangada e do enjoada estava a falar a sério. Na parte do lado negro nem por isso até porque, eu própria, a pessoa que menos gosta de estar grávida à face do planeta terra, engravidei duas vezes em dois anos. Mas não é cá por ser uma espécie de grávida permanente que tenho que dizer que isto é tudo muito lindo e portanto, hoje vou escrever sobre os aspectos menos românticos da gravidez. Sabem aqueles aspectos que quase todas experimentamos mas sobre os quais ninguém fala? Aqueles aspectos que, por serem tão mundanos, até envergonham as pessoas e, por isso, são empurrados para debaixo do tapete? Vamos a eles.

 

Gases - Ora pois, haverá por aí muitas grávidas que não padeceram deste mal? Ainda há uns dias uma amiga minha dizia que sofreu tanto com gases que tinha dores até às clavículas. Pela parte que me toca esta gravidez tem sido lixada mesmo a roer aero-oms como se fossem rebuçados. São dores de barriga brutais, sinto esta coisa toda a mexer cá por dentro e, a parte mais sexy de todas, arroto tanto que posso na boa entrar numa disputa com um camionista cheio de cerveja que ganho à vontadinha. A sério, ninguém merece. Sinto que tenho tanto ar cá dentro que não sei como é que ainda não flutuo. E dói, é chato e muito pouco cor-de-rosa. Mas é real, comum e a culpada é a progesterona.

 

Incontinência - Estão a ver quando chegamos ao fim da gravidez com uma barriga gigante e a bexiga completamente comprimida pelo nosso amigo útero? Hão-de experimentar espirrar ou dar uma boa gargalhada assim do nada e depois contem-me lá qual a sensação de perder três ou quatro pinguinhas. É aquela altura em que uma pessoa tem que ir às gavetas à procura de um penso higiénico que por lá ande esquecido que até tem medo de sair à rua e haver desastre outra vez. Felizmente, na grande maioria dos casos, a incontinência acontece num período curto e é resolvida com o parto. Pior ficam as mulheres que depois do parto mantém a incontinência. Bolas, uma pessoa espera sempre que essas coisas só venham lá para os finais da velhice mas vai-se a ver e, afinal, só é precisa uma fecundação bem sucedida. Lovely.

 

Desejo sexual - Sabiam que a mulher é a única femea na natureza que se deixa cobrir quando está prenha? Se não sabiam ficam a saber. Agora vamos lá ver, deixam as que deixam porque há aquelas que simplesmente perdem o apetite sexual todo e nem querem cá ouvir falar em pinanço durante quarenta semanas. Primeiro porque estão enjoadas, depois porque lhes faz impressão, depois porque a barriga é grande e depois só porque sim. É isso ou uma gravidez de alto risco onde levam logo às seis semanas com o aviso do obstetra. E depois há o outro lado, as que ficam completamente tresloucadas com o cocktail hormonal e quase que violam os maridos que só não fogem porque não podem. Seja como for nunca nada é igual. As culpadas? Hormonas, hormonas, hormonas.

 

Acne, manchas na pele e linha nigra - Estão a ver aquela conversa dos cabelos ficarem fortes, a pele hidratada e brilhante e as mulheres lindas e maravilhosas? Hahahaha. Tudo mentira. Ou, pelo menos, tudo mentira pela parte que me toca. Ainda antes das dez semanas já estava carregadinha de borbulhas na testa e com o cabelo muito mais oleoso que o meu habitual. Ninguém morre por ficar feia e tudo passa mas epá, é aborrecido. Na outra gravidez andava sempre cheia de protector solar na cara porque o sol fazia logo o melasma aparecer. Desta vez tem estado sempre de chuva portanto não sei o que vai acontecer mas, por via das dúvidas, o protector solar de rosto 50+ já mora cá em casa. Ah, calma, falta a linha nigra, aquela linha castanha super sexy que nos divide a barriga ao meio ali a passar pelo umbigo e que só desaparece completamente não sei quantos meses depois do parto. Não queiram comprar fatos de banho e depois venham para cá chorar. E querem saber outra? Não queiram ter que levar as injecções para maturar os pulmões dos putos. Se levarem fujam da lua cheia porque é nessas noites que nos transformamos em lobisomem tal não é a quantidade de pelos que nos aparece no corpinho. Giro, giro, giro.

 

Vómitos - Se há mulheres que se escapam a esta saga outras há, como eu, que vivem com ela desde o primeiro ao último dia. E quem é que não gosta de acordar enjoada e perfumar tudo com o cheirinho a azedo enquanto o marido, meio em desespero, lhe segura na testa? Esta última parte comigo não é muito usual uma vez que de tanto vomitar já sou praticamente independente na cena. É uma parte do meu dia como qualquer outra. A única questão é que não posso lavar logo os dentes a seguir para não ficar ainda mais mal-disposta. Mas se esperar ali uns quinze, vinte minutinhos é absolutamente tranquilo. Depois é comer e esperar que a má-disposição apareça outra vez. Como a tudo na vida uma pessoa habitua-se e vai gerindo. 

 

E pronto, agora que já meti mais meia-dúzia de defensoras da beleza da gravidez a hiperventilar, vou à minha vidinha. Às mulheres que estão a pensar engravidar digo "força nisso", afinal a gravidez dura umas 42 semanas na pior das hipóteses e depois tudo passa. Pelo lado positivo são uns belos meses sem período e, se não tiverem o azar de vos bater uma diabetes gestacional à porta, podem comer pior do que o costume que ninguém fica a olhar para vocês com cara de quem está à espera que, a qualquer momento, se transformem na baleia azul. Isto é preciso é sorte.

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