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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

19
Mar18

Alienação parental

 

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Conheço um pai que não deixam ser. A história, contada de forma rápida, é a de um homem divorciado, professor num ginásio, que decide aceitar o convite de uma aluna para jantar. Ela parece simpática, é bonita e as coisas vão evoluindo. Alguns meses depois do primeiro encontro decidem viver juntos e ela começa a pressionar loucamente no sentido de terem um filho. A pressão é alta e ele, que também sempre quis ser pai, acaba por ceder. Ela engravida e o inferno começa. À medida que a gravidez vai evoluindo ela vai-se afastando, arranjando conflitos por todos os motivos e também por motivos nenhuns, a mãe dela torna-se uma figura sempre presente lá em casa. Um dia ele chega a casa e ela não está. Foi embora, grávida de trinta e tal semanas, carregando o filho deles na barriga. Não lhe disse para onde ia, não lhe disse se voltava. Ele só volta a saber dela no dia em que o filho nasce, por intermédio de um familiar. Desloca-se à maternidade e descobre que foram dadas ordens expressas no sentido de não o deixarem entrar para conhecer o filho. A trama adensa-se. Fazem-se testes de paternidade, confirma-se que ele é efectivamente o pai da criança. A mãe continua a recusar a presença paterna e acaba por informar de que o único objectivo que tinha no relacionamento era engravidar e, desde que conseguiu, ele estava absolutamente dispensado. Foi mais longe e sugeriu-lhe que continuasse a vidinha descansado, esquecendo-se da criança, uma vez que ela nem sequer exigiria qualquer pensão de alimentos. Ele não quis e lutou arduamente (ainda luta) em tribunal. Foi-lhe permitido conhecer o filho, o tribunal decretou que, numa fase inicial o pai poderia visitar a criança uma vez por semana, sempre com familiares presentes. A mãe pegou no miúdo e fugiu para o Algarve. Seguiu-se nova batalha no sentido de descobrir o paradeiro da criaça. O menino hoje tem quatro anos. Contam-se pelos dedos das mãos as vezes em que esteve com o pai.

 

Esta história, assustadora mas real, é só um dos milhares de casos de alienação parental que acontecem diariamente no nosso país. E se também há casos em que o alienador é o pai, na grande maioria dos casos são eles os progenitores alienados. Para quem se pergunta exactamente o que é a alienação parental esta pode ser definida como a situação em que um pai manipula o filho(a) no sentido em que procura distorcer a imagem do outro progenitor levando a quem a criança coloque em causa os laços afectivos. São basicamente as situações em que as crianças são utilizadas como "armas de arremesso". E quem é que não conhece um caso assim? Mesmo que não haja impedimento e a criança até possa passar tempo com o pai, quem é que não conhece pelo menos uma mãe, que não vá destilando aqui e ali umas gotinhas de ódio em relação à figura paterna? E infelizmente muitas vezes estas tentativas de alienação ocorrem até com casais que vivem juntos. 

 

Caramba, quem serão as mães que, agarradas ao seu egoísmo, ou ao seu desgosto, impedem os filhos de ter um pai? Quem é a mãe que no seu perfeito juízo priva as crianças de uma das partes mais fundamentais para o seu desenvolvimento equilibrado? Quem é que por mágoa ou revolta pode roubar aos filhos o direito a ser realmente feliz? E "desimaginem-se" as mães que acreditam que os filhos não precisam de um pai para nada. Obviamente estão excluídas deste grupo as mães que, por força das circunstâncias, têm que desempenhar os dois papéis. Não nos podemos esquecer que existe um grupo de homens que, quando se separa das mães, também se separa das crianças. Muitas vezes lá vão enviando um pagamento mensal para aliviar a consciência e, outras vezes, nem isso. A questão é que a esses não podemos sequer chamar pais e não é sobre eles que devemos falar hoje.

 

Hoje é dia de falar nos pais que o querem realmente ser mas se vêem impedidos por mil circunstâncias diferentes e, quase sempre, desconsiderando o superior interesse das crianças. Hoje é dia de falar nos pais que vêem os seus filhos transformados em "coisas" que servem para os atingir e magoar, que vêem os seus filhos serem lançados para o meio de uma guerra onde não merecem estar. Porque, e esta é a verdade, por muito que tenham magoado as mães dos seus filhos, estes homens nunca colocaram a paternidade em causa e o seu amor pelos filhos permanece intocável e do tamanho do mundo. Que ninguém ouse jamais acreditar que defende os filhos quando os afasta da figura do pai. Todas os meninos precisam de um companheiro, de uma referência, de um ideal, de uma mão firme e de um abraço apertado. E todas as meninas precisam do seu cavaleiro andante, do companheiro apaixonado, do pai amigo e fiel que as há-de proteger sempre. O resto são mágoas e rancores de adultos que deviam sempre ser colocados em segundo, terceiro ou décimo plano. 

 

É por isso que dedico o dia de hoje a todos os pais mas em especial a todos aqueles que, apesar de o quererem tanto, têm sido impedidos de o ser. Desejo que os vossos filhos vos sejam devolvidos e que vos seja permitido amá-los e tê-los perto, que vos seja permitido estar presentes, ser segurança, afecto e compreensão. Desejo que os vossos filhos vos possam abraçar hoje e sempre e que todos os dias os possam ouvir dizer "gosto muito de ti papá".