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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

14
Fev18

Be my valentine

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Quando era miúda fazia colecção de relógios da Swatch e esse foi o meu primeiro grande desgosto de S. Valentim. Houve um ano em que a marca lançou uma edição do dia dos namorados e o relógio era, para os meus padrões da altura, praticamente a oitava maravilha do mundo. Chato era não ter ninguém a quem o pudesse pedir, quero dizer, ter tinha e, efectivamente, acabei por ganhar o relógio graças ao meu querido pai mas nunca eliminei completamente aquela sensação de batota. Devia ter sido um namorado caraças. A grande questão era mesmo o facto de não ter nenhum.

 

Também houve um ano em que, morrendo eu de amores por outro miúdo lá da escola, tive que levar com a piada de receber um pacotinho de chocolates que ele foi distribuir à minha sala de aula, de mão dada com a namorada e agarrados a um cesto de verga cheio de "miminhos" dentro. Aparentemente a ideia terá sido da professora de francês e, agora que penso no assunto, deve ter sido aí que nasceu a minha fobia à dita disciplina. De qualquer forma, e só para que saibam, mantive a minha dignidade, aceitei o raio dos chocolates e no final da aula deitei-os para o lixo. É que eu sou daquelas raras pessoas que nem de chocolate gostam.

 

À medida que fui crescendo fui desligando deste dia, e se em miúda já não lhe encontrava grande jeito, com o passar dos anos fui achando o dia cada vez mais "farsolas". Posso dizer que nestes últimos dez anos o único S. Valentim que realmente me marcou foi aquele em que fizemos (eu e o marido) uma visita guiada à Torre de Londres e, no final, tirámos um monte de fotografias no exacto local onde Henrique VIII mandou decapitar quatro das suas seis esposas. Isto é como tudo na vida, cada um vê romance onde quer.

 

Enfim, hoje (e ainda só estamos na hora de almoço) tenho o mural do Facebook inundado de declarações de amor e de publicações de restaurantes com menús para o jantar. Por mim nada contra mas nunca consigo eliminar a desconfiança quando vejo tantos corações, tanto carinho e tanto amor por aí. Cheira-me sempre a compensação de qualquer coisa, temperada com um bocadinho de fingimento para "inglês ver".

 

Outra coisa muito parva são os chamados "jantares dos encalhados". Epá, o conceito ultrapassa-me. A auto-estima está assim tão curtinha? Vão jantar no fim-de-semana, façam a festa, depois vão dormir (sozinhos ou acompanhados porque as estatísticas, que valem o que valem, até dizem que os solteiros têm mais e melhor sexo do que os "emparelhados"). Não há necessidade de se irem hoje enfiar no meio de tanto mel, inclusivamente convém não esquecer que a diabetes é uma doença terrível e com consequências muito desagradáveis a longo prazo.

 

Acredito piamente que o dia de hoje serve para dinamizar um bocadinho a economia e pouco mais. Aqui por casa é um dia como os outros todos. Daqui a pouco hei-de ir buscar o puto à creche, dar-lhe banho, jantar e adormecê-lo. Quando o pai chegar a casa, com um bocadinho de sorte, já estarei ferrada a dormir, pezinhos no saco de água quente que com esta frieza não se brinca. 

 

Mas porque sou amiga e sei que alguns de vocês são uns românticos incuráveis deixo o meu conselho mais sincero: metam os olhinhos na foto roubada do Google que ilustra este post e lembrem-se que, às vezes, o dia de S. Valentim traz consequências lá para meados de Novembro. Pensem bem na vossa vidinha. É que se são povo que gosta mesmo do romance acreditem que esta "consequência" vem equipada com meios que o detectam e destroem durante uma boa meia-dúzia de anos. Mas vocês é que sabem. Depois não digam é que não avisei.

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