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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

12
Fev18

Crónicas da surdez #1 (versão angry mom)

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Hoje vai assim, por tópicos e com uma imagem roubada do Google. As pessoas têm que perder esta mania de me irritar logo de manhã. Pffff.

 

1. Se por cada boca parva que ouço relativa à surdez do Pedro recebesse 1€ garanto que o puto já tinha as pilhas dos aparelhos pagas até 2041.

 

2. As outras crianças tiveram aproximadamente doze meses de audição até começarem a emitir as primeiras palavras. O Pedro tem aparelhos há três semanas e ainda nem sequer estão regulados para as necessidades reais dele. Antes de tudo precisa de aprender a ouvir. É nisso que estamos a trabalhar agora, repito, aprender a ouvir. Parem de me perguntar se é normal ele ainda não ter começado a falar. Eu também gostava muito que aquilo fosse meter os aparelhos num minuto e começar a conversar no outro mas... Não é assim que funciona. Lamento.

 

3. Juro que não precisamos das vossas recomendações para procurar outros médicos e outros terapeutas. O Pedro está a ser muito bem seguido, acreditem. Para quem não sabe, aproveito para informar, Portugal não é só Lisboa e Porto. Há óptimos médicos, óptimos terapeutas, óptimos enfermeiros e óptimos técnicos noutras zonas do país, dá para acreditar? Muitos deles, sendo brilhantes, optaram por viver fora dos grandes centros. Ele há coisas mesmo puxadas a óleo, ãh?

 

4. Ele já foi operado. Já tem os tubinhos de ventilação. Não resolveu. Guardem lá outra vez o diploma da vossa licenciatura em medicina na gaveta dos talheres que, a cirurgia que curou a surdez dos vosso filhos, no nosso não pegou.

 

5. Não, nós não somos pais stressados (apesar de, depois de ler isto, achar que sou capaz de parecer um tudo nada "aquecida"). Sim, é normal que crianças de catorze meses não falem. Só que essas crianças não são surdas, percebem a diferença? Quando vocês os chamam eles olham, quando vocês lhes pedem a bola eles sabem o que é, quando vocês tiram o som da televisão eles resmungam. O nosso não. Ninguém meteu a carroça à frente dos bois, acreditem. Mas, já a minha avó dizia, o pior cego é sempre aquele que não quer ver.

 

6. Cá ver que esta é importante. Nem sei bem como dizer isto de forma clara e concisa. Vou experimentar assim: ele SÓ é surdo. Felizmente. É natural que seja uma criança esperta, que faça a coreografia toda das doidas das galinhas, essas malucas, é normal que goste de desenhar, que faça construções de Lego (construções que é como quem diz, torres de peças vá), é normal que faça gracinhas, é normal até que, em algumas coisas, devido aos mecanismos de compensação próprios destas coisas, esteja um bocadinho à frente relativamente à idade. O corpo humano funciona assim. Ele compensa visualmente aquilo que não pode apreender em termos auditivos. Compreendido?

 

Porra, que alívio.

Desculpem lá qualquer coisinha.

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