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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

20
Mar18

De quem é a culpa?

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É da mãe. Sempre e em todas as circunstâncias. Independentemente do prisma as mães são as culpadas de tudo e, o mais grave, é que nem precisam que essa culpa seja apontada por outros; se há coisa em que as mães são realmente doutoradas é em culparem-se por tudo e mais um par de botas. O miúdo constipou-se? Fui eu quem lhe vestiu pouca roupa. O miúdo jantou mal? A minha sopa estava ruim. O miúdo está birrento? Sou eu quem lhe está a dar pouca atenção. Fui obrigada a trabalhar no dia da festa de Natal do miúdo? Culpa minha que tenho um emprego com horários incompatíveis com a família. O miúdo ficou surdo em consequência do parto? Não teria acontecido se eu tivesse uma bacia mais larga. 

 

Às vezes é quase fácil demais afundar na espiral da culpa. Hoje o Pedro pisou uma peça de Lego que estava espalhada no chão e acabou por cair. Enquanto ele chorava ao meu colo eu só pensava que já devia ter arrumado as peças, que era mil vezes culpada da queda, que era uma porcaria de mãe e mais mil merdices do género. Até que um alarme qualquer disparou na minha cabeça (suponho que tenha sido de autopreservação). Fogo, eu passo o dia inteirinho, vinte e quatro horas completas, a colocar as necessidades dele acima de tudo o resto, faço das tripas coração para ter disponibilidade total, brinco, lavo roupa, faço sopas, passo a ferro, dou banho, jantar, embalo para adormecer e depois caio de podre sem sequer ter tempo para me coçar. E quem não tem tempo para se coçar também não devia ter tempo para se afundar em culpas mas... Isto é inerente à maternidade, certo?

 

A gente "esmerdalha-se" mas nunca parece ser suficiente. Às vezes a gente pedala, pedala, pedala mas nunca consegue chegar à meta e o nosso melhor, nos dias bons, é assim uma espécie de melhorzito que sabe sempre a pouco. Não importa o quanto consigamos, no final do dia a sensação é sempre que fomos insuficientes. Sentimos que gerimos mal o nosso tempo, que podiamos ter dado mais. E fica fácil abraçar a culpa mas porra, recuso-me. De verdade que me recuso. Jurei a mim mesma que vou enfiar a culpa num saco e atirá-la para longe. A partir de hoje a culpa que vá bater a outra porta que esta aqui está trancada a sete chaves.

 

Não sei de quem é a culpa mas uma coisa vos garanto: da mãe não é de certeza!