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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

07
Fev18

Deves 1680 horas de sono à mãe

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Estão a ver aquelas pessoas muito matinais, que acordam cedinho, super enérgicas e começam logo a fazer imensas coisas? Nunca fui eu. Sempre gostei muito de dormir, especialmente pela manhã. Aquela ronha, aquele estado de letárgia ali entre o acordada e a incosciência, no quentinho da cama... Ui, quem me tirava esses momentos tirava-me a vida. Quando comecei a trabalhar não me importava nada de fazer imensas tardes (o que implicava sair às 00h30') só para poder dormir manhãs inteiras. E quando fazia noite? Era chegar a casa às 9h, tomar um duche, preparar um saco de água quente e mergulhar em vale de lençóis até à hora de jantar. Quando acordava estava pronta para outra.

 

Depois engravidei e começou o rebuliço. Primeiro foram os chichis de duas em duas horas e as náuseas. Com o avançar das semanas veio a falta de posição (uma pessoa dorme de barriga para baixo uma vida inteira e depois, assim do nada, a coisa deixa de funcionar), a necessidade de mais uma almofada na cabeça e outra no meio dos joelhos, no final já me faltava o ar, tinha dores nas costas e o raio do chichi voltou à cena. As minhas adoradas noites transformaram-se numa merdinha até porque a juntar à parte fisiológica comecei com sonhos disparatados. Se numa noite sonhava que tinha parido um cão com penas coloridas, na noite seguinte sonhava que tinha sido esfaqueada ou que os meus pais tinham morrido. Acordava tão incomodada que voltar a adormecer era uma miragem. Se calhar já era o corpinho a preparar-se para o que estava por vir.

 

Quando o Pedro nasceu o que eu pensava que não podia piorar realmente piorou. Suponho que todas as mães estejam familiarizadas com o esquema:

 

O puto chora,

Mete a mama de fora,

O puto vai mamar

E demora três dias a arrotar.

Quando tudo acaba

E metes a cabeça na almofada

Nem tens tempo de contar até três

Porque começa tudo outra vez.

 

 

Que bonito poema acabei de criar, isto é outra coisa boa da privação de sono. Ficamos de tal maneira alucinadas que a nossa criatividade experimenta assim um aumento exponencial. Enfim, voltando ao cerne da questão. Os primeiros tempos como mães (vá, e como pais também) são uma luta permanente contra o cansaço. Nunca mais se consegue dormir nem o mesmo número de horas nem com a mesma qualidade que anteriormente. Uma pessoa transforma-se numa espécie de zombie e depois tem sempre que ouvir as pessoas que sabem imenso de maternidade a mandar aquele bitaite famoso do "tens que dormir quando o bebé dorme". Juro que fiquei sempre com vontade de esbofetear as pessoas que me disseram isto. Durmo quando o puto dorme e depois? A casa arruma-se sozinha, a roupa passa-se sozinha, a comida faz-se sozinha... Enfim, não sei se este povo tem todo empregada a tempo inteiro ou se realmente se está cagando para o facto de viver num pardieiro. 

 

A cena é que desconfio que isto só melhora lá para a adolescência quando eles começam a gostar de dormir. É que mesmo quando as mamas acabam começam os pesadelos, as febres, as birras. E depois os putos têm aquele defeito de não saber distinguir folgas e fins-de-semana de dias de trabalho normais. É todos os dias a esbugalhar os olhos e abrir as goelas às 7h. Ah, já me esquecia, e os picos de desenvolvimento? Não há cu que aguente.

 

 

3 comentários

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    Carmen Garcia 07.02.2018

    Fogo, saudades daquele sono mesmo profundo, sem preocupações, sem hora de acordar. Agora? Até dormir é a despachar =/
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    Anónimo 09.02.2018

    Se me deito para o adormecer...deixo cair a cabeça primeiro que ele!!! :)
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