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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

10
Fev18

Estado de (des)graça

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Eu gostava muito de gostar de estar grávida, juro. Adorava ser uma daquelas grávidas cheias de brilho que até ficam com os cabelos mais fortes e a pele impecável. Infelizmente a mim calharam-me o acne, a ciática e os vómitos. Nada a fazer. Quando vi os dois risquinhos neste teste fiquei logo em modo pânico e, vai daí, começou toda a gente com a ladainha "calma, isto não há duas gravidezes iguais". Confirmo. Comigo há as más e há as péssimas. Se servir de consolo pelo menos são diferentes.

 

Não consigo perceber como é que nomearam estes meses de "estado de graça"... Por mais que me esforce a única parte boa que consigo ver nisto tudo é que, no final, sai cá para fora um puto. Pronto, também é verdade que são nove meses sem período e esse é claramente um ponto positivo mas, mesmo assim, pesa pouco na equação global.

 

Das duas vezes descobri que estava grávida exactamente pelo mesmo motivo: era só meter um pé para fora da cama pela manhã e zás, ligar o turbo direitinha à casa de banho para poder "virar o barco". Passaram treze semanas e continua tudo na mesma. Sabem aquelas grávidas que se queixam imenso do ganho de peso? Já eu tenho que fazer mega esforço para não perder. Não há nada que me fique no estômago por estes dias. Enfim, a juntar-se a esta cena, tipo pescadinha de rabo na boca, vem o sono. Posso dormir quatro, oito ou doze horas que vou passar o dia a arrastar o rabo e a sonhar com a minha caminha (ou com o sofá, ou com um cadeirão, às vezes até o tapete da sala me parece um spot de sonhos). E se o sono, por si, já é incontrolável, juntem-lhe lá o nausefe e depois conversamos. A gravidez transforma-me num zombie. 

 

E nem vou falar da parte hormonal que, na gravidez do Pedro, me fez chorar baba e ranho com um anúncio da Vaqueiro. Desta vez, e até ver, essa parte parece estar um bocadinho mais controlada. Por via das dúvidas evito ver televisão que isto nunca se sabe quando é que um anúncio de banha de porco pode puxar mais ao sentimento. É isso e andar. Também vou evitando essa prática derivado desta ciática, cabron@, que me transforma numa espécie de grávida de oitenta anos, inclusive na parte de fazer cinco chichis por noite. Oh vidinha boa.

 

Reparem, ainda só vamos no primeiro trimestre. E se é verdade que o segundo costuma dar um bocadinho de tréguas, também é certo que o terceiro, cheio de pontapés nas costelas e com uma capacidade de armazenamento da bexiga de cerca de 50ml, vem outra vez com tudo. E desta vez vou estar no "pingo do Verão"... Parece que já me estou a ver, ali uma mistura de baleia, sapo e elefante, a rebolar com aquele swag de ganso, toda transpiradinha, de leque numa mão e garrafa de água na outra. 

 

Pronto, não consigo, não há maneira. Estar grávida não é de todo a minha cena. E se depois de beber aquela javardice açúcarada me vierem outra vez dizer que tenho diabetes gestacional mando-os a todos para um lugar feio e vou chorar baba e ranho agarrada à caneta da insulina, ao fiambre magro de frango e às tostinhas de milho que parecem esferovite. Com um bocadinho de sorte passa um anúncio da Vaqueiro e está composto o quadro mais depressivo do mundo. Até porque nisto da gravidez como em tudo na vida, já se sabe, o que é preciso é sorte.

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