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A mãe imperfeita

Porque a maternidade é difícil. E as mães precisam de rir.

A mãe imperfeita

Porque a maternidade é difícil. E as mães precisam de rir.

20
Dez18

Este é o Jornal Imperfeito [#extra]

 

Este Domingo não vai haver Jornal Imperfeito para ninguém porque, se a vida me correr bem, conto passar o serão mergulhada em ovos, açúcar, nozes e chocolate a preparar a consoada. Mas não podia deixar passar em branco a grande notícia de maternidade desta semana e, por isso, decidi publicar esta edição extra do nosso semanário. Ora então parece que as coisas azedaram a sério numa festa de Natal numa escola na Sicília:

 

 

Mães à bulha.png

 

 

Surpreendidas? Só se nunca foram a um festival do Panda. E não, não falo dos musicais onde há lugares marcados. Falo mesmo dos festivais em recinto aberto onde cada um fica onde quer e onde há uma percentagem assustadora de mães que guardam as notas de vinte euros no soutien. Contou-me uma amiga que, num destes festivais, um pai decidiu pegar a filha às cavalitas cortando, obviamente, a visibilidade de quem estava atrás. E como civismo com civismo se paga uma mãe (que não era a da criança) agarrou na miúda pela cintura e vá de puxá-la das cavalitas do pai. Claro que correu mal, engalfinharam-se todos, puta para cá, cabrão para lá, e a minha amiga felicíssima porque, pela primeira vez, viu um espectáculo no Panda que valeu o preço do bilhete.

 

Por acaso estava eu grávida do João, na sala de espera da consulta externa de obstetrícia, e também assisti a uma luta de galinhas que, cereja no topo, estavam grávidas. Na verdade não sei bem como é que aquilo começou mas sei que as duas tinham filhos mais velhos lá com elas e só havia uma cadeira a sobrar. Aquilo empolou de tal maneira que acabou com uma delas a gritar para a outra "como é que tu fez um filho é que eu gostava de saber que dá para ver de longe que tu é SAPATONA". Eu confesso que tive vontade de gritar "já ganhou!", mas a administrativa era uma queixinhas que telefonou para o segurança e o segurança era um parvo que só dizia "acabou, acabou", tipo disco riscado, e lixaram-me o entretenimento. 

 

Agora reparem, estes episódios que relatei foram passados em Portugal, terra de brandos costumes. Em Itália, mais especificamente na Sicília, terra da Cosa Nostra, a dimensão é logo outra. Quando cá se grita lá já se empurra. Quando cá se empurra lá já se esmurra. E quando cá se esmurra lá já há uma pilha de corpos queimados. E ainda para mais não estamos a falar de uma festa qualquer, não é? É a festa de Natal. Os putos estão vestidos de anjinhos, houve trabalho de casa, é natural que toda a gente queira ficar na primeira fila para ter as melhores fotografias e fazer bonito no Instagram com hastags super originais tipo #orgulhodamãe #amormaior #feliznatal #instamom e outras maravilhas do género. E se para isso for preciso puxar uns cabelo e enfiar umas macacas nos olhos (nota mental: parar de dizer esta merda antes que o PAN me venha f@der a cabeça) então é mesmo isso que se faz.

 

O problema desta coisa foi a mariquice dos putos que começaram a chorar e a tremer, cheios de medo das mães que pareciam possuídas por satanás na festa de celebração do nascimento do filho de Deus. O capo da Cosa Nostra que não queira tomar medidas que mais uma ou duas gerações e vê o lugar entregue a um florzinha qualquer que fecha os olhos enquanto esmaga as mãozinhas dos rivais com a semi-automática de 9mm.

 

Agora a sério, parece que a coisa foi de tal ordem que meteu polícia e tudo. Polícia. Numa festa de Natal da escola que é, desculpem lá a expressão, todos os anos a mesma merda. É verdade que eu não estava lá; mas quase que aposto o mindinho esquerdo em como uns putos estavam vestidos de anjos, outros de pastores, havia a Nossa Senhora e o S. José, o menino Jesus era um Nenuco e no fim cantaram todos a versão italiana da Noite Feliz e depois entrou o coro de Santo Amaro de Oeiras com aquela do "a todos um bom Natal". É preciso brigar para ver isto? É preciso meterem-se maridos, primos, amigos e vizinhos e transformar uma porcaria de uma festinha de escola numa batalha campal?

 

Muita vergonha alheia é o que sinto quando vejo notícias destas. Que as mães estão loucas eu já sabia porque vou sentada na frente desse barco a remar descoordenada. Mas isto? Isto é a completa falta de noção.

 

 

 

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