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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

09
Jul18

Grupos de mães no Facebook #11

 

hemangioma.jpg

 

[INFORMAÇÃO À NAVEGAÇÃO: A semana passada levei uma "descompostura" depois da publicação do post de Segunda-feira. Que não era bonito gozar com as outras pessoas, que o humor tem limites, que não fazia ideia de qual a condição de quem escrevia estas coisas... Confesso que não tenho grande vontade de me desculpar por várias razões. Em primeiro lugar tenho sempre o cuidado de não colocar prints pelo que se torna impossível chegar aos grupos ou autores das publicações originais e, desta forma, a privacidade dos mesmos está sempre absolutamente assegurada. Outra razão é porque sou quase sempre forçada a modificar um bocadinho as postagens originais (e sim, por culpa do português de quem as publica inicialmente que, muitas vezes, é quase imperceptível). Quanto à condição de quem escreve estas coisas epá... Quem tem acesso à internet, mesmo que tenha uma escolaridade muito baixa, tem acesso a uma ferramenta chamada Google; o porquê de não a usar é uma coisa que me transcende em larga escala. Por último, isto é a internet, é global. Quando se publica seja o que for aqui tem que pensar-se que pode ser lido por milhares de pessoas. Quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele, ora essa. Posto isto vou continuar com a publicação das Segundas-feiras. Quem não gostar que coma só as batatas. De preferência a murro.]

 

Ora bem, depois desta (desnecessária) introdução vamos ao que interessa. Hoje vamos abordar um tema que podia fazer algum sentido no tempo das nossas avós mas que, actualmente, é só uma parvoíce. Seria de pensar que a informação disponível servisse para acabar com certos mitos mas, na verdade, alguns deles parecem ter cada vez mais força. E são tão parvos mas tão parvos que, por muito que se queira, não dá mesmo para justificar as crenças geradas. Seguimos para bingo.

 

Tema de hoje: Afinal sou a minha avó

 

1. Olá a todas, hoje foi dia da consulta dos 12m do M. Se no peso a coisa até vai andando nem imaginam no comprimento. Continua abaixo do percentil mais baixo de todos, é um verdadeiro pigmeu. Nem eu nem o meu marido somos assim muito baixinhos por isso não sei mesmo o que justifica isto, é quase como se o miúdo não fosse capaz de crescer. Até perguntei à médica se havia alguma hipótese dele ser anão (eu sei que pode parecer parvo mas às tantas sei lá) e ela disse que não, que as proporções dele estavam bem, era mesmo só pequenino. Mas é que é tãooooo pequenino... =( Enfim, desculpem o desabafo.

E pronto, a esta hora vocês pensam: ó mãe imperfeita, qual é o mal desta publicação? E eu respondo: nenhum! Na verdade é uma publicação muito normal nestes grupos, uma espécie de desabafo de uma mãe preocupada e que nunca aqui viria parar se, no grupo onde foi publicado, não tivesse levado a seguinte resposta:

"Mamã, desculpe fazer esta pergunta mas... Como é que dá banho ao seu filho?"

Ora a mãe da dúvida inicial respondeu qualquer coisa como "não estou a perceber bem onde quer chegar mas habitualmente dou na banheira e uso os produtos da Dove de bebé". Como resposta ganhou o seguinte:

"Lol. Não era bem isso que estava a perguntar. Os produtos e onde dá banho não interessam para nada. É a forma como dá o banho que conta. Sempre se ouviu o ditado "se queres que o teu filho cresça lava-lhe o rabo antes da cabeça" e há muitas mamãs que não sabem disto e lavam a cabeça dos bebés primeiro. Está errado porque impede-os de crescerem. Veja se não será esse o seu caso. Até pode ser que ainda dê para corrigir".

 

E pronto, foi aqui que desmaiei. Não consegui continuar a acompanhar o diálogo (até porque não pertenço ao grupo e o print que me mandaram acabava aqui) mas muito gostava eu de saber o que é que a mãe do bebé baixote respondeu. Espero, espero mesmo, que se tenha só desmanchado a rir e não tenha alimentado esta parvoíce. Estamos em 2018, metade do ano já está virada, e ainda há pessoas que acreditam mesmo que se lavarem o rabo antes da cabeça os miúdos crescem mais? O que é que se passa com o mundo? A mim parece-me só esquisito lavar primeiro o rabo, no caso do meu filho é sempre o que deixo para o fim porque parece-me mais higiénico começar por lavar o mais limpo (sou enfermeira, sorry). Se me debruçar bem sobre o assunto até percebo que na banheira está tudo de molho ao mesmo tempo mas sei lá... Agora acreditar que lavando o rabo no início os ossos esticam mais... De qualquer forma, baixinhas deste Portugal, tentar não custa nada, em calhando andam vocês cheias de dores nas costas por andarem sempre montadas em saltos de 12cm e, afinal, é tudo uma questão de trocarem a ordem do banho. Vá, agora já sabem, rabinho primeiro. Depois venham cá contar quantos centímetros a mais ganharam no fémur. (E ainda o meu marido diz que comigo não se aprende nada...)

 

 

2. Mamãs venho aqui deixar um alerta. Às vezes gozamos com os antigos e não acreditamos nas coisas que nos dizem mas durante a gravidez do meu Santiago estava a comer um pêssego e caiu-me o caroço mesmo em cima da barriga. O menino não tinha ainda dado a volta. Nasceu com uma marca vermelha na testa, por cima do olho direito, que é IGUALZINHA ao caroço que me caiu. Deixo a todas o conselho de quem tenham cuidado e não brinquem com estas coisas porque eu o meu filho somos a prova que são verdadeiras.

Ora bem, começar por onde? Pelo facto deste puto ter nascido com um hemangioma (como milhares de outros putos) e a mãe achar que foi o caroço do pêssego o responsável? Cá a ver, a maioria dos hemangiomas desaparece até aos cinco anos de idade mais coisa menos coisa; se o deste puto desaparecer qual será a justificação da mãe? Dirá que foi por ter andado a lavar a cara do puto com água benta trazida directamente da capelinha das aparições ou atribuirá o milagre a uma senhora que conhece, sétima filha mulher de uma amiga da avó que, como toda a gente sabe, sendo a sétima nasceu bruxa? Não percebo estas coisas. Percebia se fossem ditas pela minha avó que tinha uma baixa escolaridade e toda a vida cresceu num ambiente rural onde o conhecimento estava completamente vedado às mulheres. Não aceito que venha de mulheres de vinte e tal anos. E ainda por cima depois enfiam com estas merdas nestes grupos onde, com um bocadinho de azar, ainda dão cabo do miolo a mais uma ou duas que começam a acreditar que a mancha que o filho tem na perna deriva de um caroço de azeitona ou que a marca no braço do menino é culpa de um molho de coentros. Com tanta merda que as mães já arranjam para se culpar só falta mesmo começarem a massacrar-se pelas manchas e sinais com que os putos nascem. Haja Deus. E cérebros. Haja cérebros.

 

3. Gravidinhas, ando aqui com uma coisa "encanitada". Tenho sofrido horrores com azia durante a gravidez e toda a gente me diz que a minha menina agora há-de nascer cheia de pêlos nas costas. Acham que pode ser possível?

Gravidinha (arrepio na espinha), queres ouvir uma história real? Na gravidez do meu filho mais velho transformei-me no Dracarys (se não sabes o que é vai ver a Guerra dos Tronos que também não posso estar sempre a explicar tudo). Desconfio que o fogo na minha garganta era coisa para queimar cidades inteiras. Não sei quantos litros de leite gelado bebia todas as noites para tentar apaziguar a porra da azia mas acredita que eram muitos. Comi amêndoas peladas aos molhos. Arrotei que nem um camionista depois de uma tachada de mão de vaca com grão. Dormi praticamente sentada. E o puto nasceu em careca. Pêlos no corpo? Mais ou menos zero. E não, não sou a excepção que confirma a regra. Conheço milhentas mulheres que tiveram toneladas de azia e pariram nenucos, podes estar sossegada. Ah, e caso a miúda nasça com lanugo respira fundo que aquilo cai tudo num instantinho. "Desencanita-te". De nada.

 

4. Se calhar esta publicação pode ser motivo de gozo para algumas mas a minha bebé nasceu há quatro dias, viemos ontem para casa. No hospital obrigaram-me a lavar depois do parto mas a minha mãe está sempre a dizer-me que é melhor não me lavar agora durante uns dias porque pode atrasar a recuperação e eu sinto-me tão fraca que nem sei bem se isto tem algum fundo de verdade. O que é que vocês acham?

A mãe imperfeita acha que todas devemos agradecer ao altíssimo o facto da internet não ter cheiro. E não consegue achar mais nada. Ou melhor, até consegue. Consegue achar que o teu obstetra é capaz de se apagar quando fores à revisão pós-parto. Mas também olha, quem cobra quase cem euros por consulta tem mais é que se sujeitar.

 

5. Olhem lá, alguma de vocês já ouviu dizer que se soprarmos na cabeça dos nossos maridos enquanto eles estão a dormir os nossos enjoos passam para eles?

Como é que eu só ouço falar disto agora? Ando há 34 semanas a toque de nausefe, sempre a dormir ao lado do pai imperfeito e ainda ninguém me tinha dito que bastava soprar? É óbvio que eu não sou cabra nenhuma e não ia andar a soprar todos os dias mas epá... Pelo menos duas ou três vezes por semana sempre me tinham aliviado qualquer coisinha. Sabem lá vocês o peso que perdi no primeiro trimestre. Além disso, apesar de não sermos oficialmente casados, como eu carrego os filhos dele também vale aquela cena do "dividir as tristezas e os enjoos, multiplicar as alegrias" (posso ter acrescentado a parte dos enjoos agora mesmo mas vá). Enfim, acho nojento haver mulheres que sabem estas coisas e não serem capazes de partilhar com as outras todas. Cadelonas.

 

6. Bem minhas queridas, vamos a mais um mês de tentativas. Depois do período fértil calculado estou inclinada a tentar outra coisa... Uma amiga disse-me que engravidou na vez em que depois de fazer amor fez o pino porque, segundo ela, o esperma assim escorreu todo para dentro. Como sabem ando a tentar há quase um ano e já estou por tudo...

Eu percebo que seja uma merda querer engravidar e não conseguir mas sou da opinião que, independentemente da circunstância lixada que estejamos a atravessar, não nos devemos esquecer que temos um cérebro que serve, essencialmente, para ser usado. Posto isto o meu conselho é que opte por uma variante e faça o pino enquanto faz o amor. Pessoalmente nunca experimentei mas sabe-se lá se não é bom... Em termos logísticos pode não ser fácil mas, com um bocadinho de esforço, tudo se consegue. Entretanto se sentir a cara a ficar muito quente não se preocupe, é capaz de ser o sangue a "subir à cabeça" o que até é capaz de ser uma vantagem: sempre lhe irriga o cérebro e pode ser que lhe leve embora estas ideias de merda.

 

Pronto, para a semana mesma hora, mesmo sítio.

 

*Imagem retirada do Google

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