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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

10
Set18

Grupos de mães no Facebook #18

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Começa mais uma semana e, com ela, mais uma série de questões super pertinentes vai nascer por esses grupos de Facebook. E a Mãe Imperfeita aqui continua, de pedra e cal, a tentar dar resposta a estes autênticos dilemas da humanidade, qual Maria Helena dos blogues (mas sem a parte das cartas e da venda dos santinhos), qual Alexandra Solnado das mães, qual Gustavo Santos da sabedoria feminina. Nunca temam mães deste país; nunca temam porque a Mãe Imperfeita descansa mas não dorme (literalmente) e não vai deixar passar nenhuma dúvida realmente importante sem lhe oferecer a tão merecida resposta. Esta semana com quatro questões fracturantes sobre temas variados que vão ser escrutinadas ao pormenor. E a viagem começa agora.

 

1. Olá meninas, hoje venho aqui para desabafar. Acreditam que a minha sogra (que vive perto de nós porque os meus pais estão no Algarve) já começou com as indirectas do tipo que já tem os filhos criados não está para criar os dos outros para eles andarem na boa vida? Já vão três ou quatro vezes com boquinhas destas e, o mais parvo, é que só ainda ficou três vezes com o meu Santiago. Vocês no meu lugar faziam o quê?

Ai caraças, devo confessar que adoro um bom desabafo. Quando leio que vem aí uma partilha deste tipo até o coração me dispara e os pelinhos do braço se eriçam. Confesso, no entanto, que quando li esta publicação assim à primeira vista não lhe achei nada de especial até que se me bateram os olhos no nome do grupo em questão. E o que é que indicava o nome desse grupo? A data em que teriam nascido estes bebés. Vai daí, feita ratazana, pergunto "quanto tempo tem o teu Santiago"?, e a pessoa responde "18 dias". E pronto, desapareci da publicação que deve ser o mesmo que a sogra desta alminha tem vontade de fazer. Se com dezoito dias o puto já lá ficou três vezes (os pais foram a dois jantares e um casamento que a mãe explicou nos comentários) quando tiver seis meses mete as fraldas e as chupetas num saco do Pingo Doce e muda-se para lá de vez. A sério que não entendo esta malta. Que ela depois de parir esteja fresca e fofa como o pão da Bimbo, cheia de vontade de andar no laréu, eu até posso entender. Mas macacos me mordam se não entendo também a sogra que se vê a braços com um bebé de dias, que acorda mil vezes durante a noite, enquanto o filho e a nora vão jantar sossegadinhos e dar um pezinho de dança. Aposto que a desgraçada da mulher já está a ver a vidinha toda de recuas que nem a novela da TVI consegue ver descansada e, páginas tantas, já nem sabe quem é amantizado com quem. Só vos digo que acho que ela até tem muita sorte por ter uma sogra que só lhe manda boquinhas. Eu mandava as boquinhas e o puto, tudo numa caixa daquelas de correio verde, enrolados em papel de bolhinhas daquelas que se rebentam quando padecemos dos nervos, com um escrito a dizer "impossível devolver ao remetente" (ou, se calhar, escrevia antes "quem o fez que o ature", não sei, era esperar pela inspiração do momento).

 

2. Olá a todas as mamãs deste grupinho. A minha filha de dez meses, super faladora, já vai construindo frases com cerca de três ou quatro palavras. Mais alguém por aí assim?

Assim como? Mentirosas? Deve haver, duvido é que se acusem. Vá, agora a sério, estas cabras passivo-agressivas, cheias de mamãs e grupinhos e fofinhas são as que mais me enojam nesta coisa da maternidade. São estas tipas que, muito simpaticamente, vêm gabar os filhos, seja com factos verdadeiros ou inventados, ao mesmo tempo que esmagam a auto-estima das outras todas porque claramente o filhinho delas mija mais longe do que os outros atrasados todos que ainda pingam para os pés. E estas tipas irritam-me tanto que costumo mesmo responder-lhes com ironia que elas, das duas uma, ou fingem não perceber ou encarnam antes na padroeira das virgens ofendidas. A verdade é que acho sempre que quem faz publicações deste tipo é mal-amada, em casa e na vida em geral, e isso explica a necessidade de vir caçar elogios para a internet. Se é possível que a criança seja realmente precoce na fala e construa frases com dez meses? Se calhar é. Também é possível que a mãe precise de peso em cima a ver se lhe passa o complexo de inferioridade. Gente desta? Lá longe se faz favor.

 

3. Olá, acreditam que se o bebé nascer com o cordão enrolado no pescoço tem que se chamar José ou acham que é só uma crença antiga sem fundamento?

As outras não sei mas eu acredito e muito. Aliás, o meu mais velho é Pedro porque tentaram três ventosas e uns fórceps sem sucesso e o mais novo João porque tive diabetes gestacional e foi preciso dar insulina. Tenho um primo que é Tiago porque "nasceu de rabo" e uma Inês porque tem um sinal no braço. Para ser sincera nem percebo essa coisa de escolher nomes logo cedo que isto as coisas bem feitas é esperar que a criança nasça, ver as avarias que traz e depois ir então perguntar a um antigo como é que a devemos chamar. Quem não faz assim tem sete anos de azar como as pessoas que quebram as correntes de amizade online e as que não escrevem amén na fotografia do menino leproso.

 

4. Tenho um filho de dois meses e hoje tive relações e o meu namorado veio-se todo dentro de mim. É possível engravidar?

Porra, quando uma pessoa pensa que já viu tudo chega alguém e escreve "veio-se todo". Estou sem saber se ria se chore mas, uma coisa é certa, da vergonha alheia já não me livro. Seja pelo português de beira de estrada, seja pela ignorância que demonstra esta pergunta tem tudo para ser maravilhosa. Como é que alguém, em pleno século XXI, ainda tem dúvidas nisto é uma coisa que não me entra no circuito. Estamos a falar de mulheres que já pariram. Será que estava inconsciente quando fez o primeiro e acha que aquilo foi assim uma espécie de obra do acaso? Deus ajude a geração que vai ouvir a história do pai plantar a sementinha na mãe contada por esta gente, se calhar o melhor é voltarmos todos à cena das cegonhas e acabou, não há como errar. Veio-se todo. Ela escreveu mesmo "veio-se todo". Ainda não estou em mim.

 

Pronto, se calhar nota-se que fiquei assim meio irritada depois da segunda questão, não é? Têm que aguentar. O meu marido também aguenta. E ele é todos os dias, vocês é só às Segundas. 

 

*Imagem roubada do Google

 

 

 

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