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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

25
Jun18

Grupos de mães no Facebook #9

Bebé óculos.png

 

Isto hoje tardou a chegar. Mas chegou e é isso que conta, certo? Ora bem, o post de hoje vai ser um bocadinho diferente do habitual porque o vou dedicar a uma praga que me anda a importunar nos últimos dias. Prometo que para a semana voltamos ao nosso esquema habitual, com as perguntinhas super pertinentes e respectivas respostas (até porque tenho prints sem fim para partilhar convosco). Mas hoje, tenham paciência, vão ter que levar comigo em modo mal-humorado. 

 

Ora bem a esta hora já vocês estão cheinhas de curiosidade (ou então não) a perguntar-se qual o tema que anda aí batidinho nos grupos e que tem enchido a mãe imperfeita de nervoso miudinho. Pois bem, são os Bebés Nestlé. Pronto, já disse. Cá a ver, toda a gente sabe que o meu filho come Cerelac e várias outras papas industriais. O que está na barriga irá pelo mesmo caminho e, portanto, obviamente, tenho tudo a favor da marca mas chiça, se me aparece mais algum pedido para votar no "baby qualquer coisa" sou rapariguinha para enfartar.

 

Pois que os grupos de mães são constituídos por mães. E as mães são um ser humano do sexo feminino que tem como característica o facto de ter parido ou adoptado uma criança que vulgarmente se designa por filho. Serve isto para dizer que todas as mães têm filhos, ok? E escusam de estar a torcer o nariz a esta introdução porque parece que, para algumas pessoas, isto não é uma coisa assim tão óbvia. Ainda ontem me deparei com a seguinte publicação: "Olá a todas, hoje não venho aqui para desabafar mas sim para vos pedir que votem no meu bebecas. E porque é que acho que ele merece ser o bebé Nestlé? Porque se o compararmos com outras crianças é fácil perceber que ele é mais bonito e mais simpático. Quem é que consegue resistir a este sorriso?". E pronto, foi isto. Não há melhor forma de convencer outras mães a votar num bebé do que compará-lo com os filhos delas e concluir que ele os ganha aos pontos. E foi mesmo assim a seco "é mais bonito e mais simpático". Fim. Nem um bocadinho de vaselina.

 

Epá, concorram lá com os putos, façam publicidade no vosso mural mas não entupam os grupos de mães com esta praga. Não é só porque é chato mas também porque é desagradável. Todas ali têm filhos e todas acham, obviamente, que o seu bebé é o mais bonito. Mas se vamos todas começar com a conversa do "o meu é melhor que o teu" mais vale enchermos o ringue de lama e começar a sortear a ordem das lutas.

 

Mandasse eu alguma coisa e fazia eleger um bebé diferente. Juro que o bebé Nestlé devia ser um bebé com trissomia 21, com paralisia cerebral, com lábio leporino ou fenda palatina. O bebé Nestlé devia ser, nem que fosse por uma só vez, mais do que um concurso de beleza. E sabem porquê? Porque as crianças não são todas perfeitas, porque a lotaria genética não devia ter tanto valor e porque, de uma vez por todas, é urgente que as pessoas percebam que a diferença enriquece o mundo. Estou cansada da sobrevalorização da beleza física. É urgente que as pessoas comecem a perceber a beleza maravilhosa que existe na superação. Um menino surdo que diz a sua primeira palavra, a menina cega que começa a ler em Braille, a criança com paralisia cerebral que aprende a escrever. 

 

É óbvio que não tenho nada contra a beleza, inclusivamente acho que o meu filho é lindo de morrer (sou a mãe dele, se eu não achar quem é que acha?). Mas porra que já cansa. Sou oficialmente pela diferença. E tenho dito. Desculpem lá qualquer coisinha.

 

 

*Imagem retirada do Google

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