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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

05
Mai18

Hoje é dia da mãe e eu tenho orgulho em ti

Dia da mãe.jpg

 

Querida,

 

Se estás à espera que esta carta sirva para te elogiar e dizer que nada tens de imperfeita, não contes com isso.  Na verdade acho realmente que tens muitas imperfeições e é exactamente por isso que gosto de ti. Cada imperfeição faz de ti aquilo que tu és e também por isso te escolhi para mãe dos meus filhos. Sei que as mulheres se julgam umas às outras, especialmente no papel de mães, acham que estão sempre a falhar, mas peço que repares: onde tu encontraste falhas por não conseguires um parto normal eu vi muita coragem por horas sem fim de dor e uma cesariana tão complicada, onde tu encontraste falhas por não conseguires amamentar durante os seis meses eu vi uma mulher que mesmo com uma fissura na costela fez um esforço para alimentar o filho ao peito, onde tu vias falhas por te sentires cansada eu via uma mulher que antes dormia para lá da manhã e de repente acordava três vezes de noite e se levantava antes das 7h, de sorriso nos lábios. Entendes o que te pretendo dizer? Não devias, nenhuma mãe devia, ser tão crítica em relação a tudo.

 

Se os conselhos fossem bons não se davam, mas ainda assim arrisco um, escolhe ver o copo meio cheio, não ligues ao que as mãe ideais dizem e/ou fazem. Para mim que não percebo nada disto, essas mães nem são reais, simplesmente não existem. Mas tu és real, com os teus defeitos, manias e complicações (ui ui, quem te conhece sabe do que falo). És real porque acordas despenteada e com olheiras. És real porque ingeres um iogurte a correr enquanto fazes a papa do miúdo. És real porque passas a vida a correr contra o tempo. És real porque és uma péssima cozinheira mas mesmo assim fazes com todo o gosto sopinhas e  até (imagine-se) massa de peixe. És real porque ofereces uma fatia de fiambre à criança quando precisas que fique entretido. És real porque todos os dias, mesmo cansada, fazes um esforço para ler um bocadinho. És real porque choras, questionas-te e estás constantemente a achar que não tens feito um  bom trabalho. És até demasiado real quando estás no duche a cantarolar as canções do Panda, embora muitas vezes te apeteça, tal como a mim, que ele se calasse uns minutinhos.

 

Não tenho o dom de escrever com todo o sentimento  da  mãe imperfeita, não sou nenhum mestre com as palavras e receio perder-me. Assim sinteticamente o que te quero dizer hoje, no dia da mãe, é que todos os dias agradeço por te ter a ti e às tuas imperfeições. O sorriso, agora de dentição completa, do miudo prova-me que tu foste a minha escolha mais certa e que são as tuas imperfeições exactamente aquelas de que ele precisa. As tuas imperfeições não são exclusivas de ti, fazem parte de todos nós, enquanto família. Se somos uma família imperfeita? Eventualmente. Mas uma família imperfeita que é feliz!

 

 

Com amor,

O Pai Imperfeito

 

* Imagem retirada do Google