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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

17
Abr18

Mitos e crenças associados à gravidez e ao parto

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Já há algum tempo que andava com vontade de escrever sobre a quantidade de mitos associados a esta fase da vida de uma mulher. Talvez por viver num meio pequeno as crenças ao redor do tema "gravidez e bebé" acabam sempre por aparecer durante as conversas e se, em algumas dá para encontrar um fundo de verdade, outras há que são tão disparatadas que gabo a criatividade do seu criador. Então cá vai:

 

1. Mulheres que sofrem muito com azia na gravidez têm bebés cabeludos 

Pronto, esta é daquelas que dá para rebater com a minha experiência pessoal. Na primeira gravidez tive tanta mas tanta azia que sentia que tinha um vulcão em erupção algures entre o estômago e o esófago. A agonia era de tal ordem que me forçava a levantar da cama para beber leite gelado (era a única coisa que me aliviava) durante a madrugada. O meu gastroenterologista prescreveu-me a famosa "aguentoterapia" que é como quem diz "pouco barulho e não chora". Nem vos sei explicar o desespero que tinha em certos momentos. Um dia uma amiga falou-me em comer amêndoas peladas como uma solução eficaz. Desesperada como estava era sacos atrás de sacos mas o resultado foi sempre mais ou menos zero. Acabei por voltar ao leite gelado que, assim como assim, sempre ficava mais barato. O Pedro nasceu praticamente careca. Desta vez tenho-me estado a safar à praga da azia, deixem lá ver a cabeleira que este traz.

 

2. Se a grávida não comer o alimento que deseja o bebé nasce com a cara desse alimento

Nunca tive desejos na gravidez do Pedro mas espero, de verdade, que isto seja falso. É que se for verdade este que aí vem nasce com antenas e uma casa às costas que eu continuo aqui a salivar por um pratinho de caracóis (estou à beira do "aguamento" como se diz por aqui). Há uns tempos li uma piada parva qualquer sobre este tema que era mais ou menos assim:

Uma mulher grávida acorda de noite e diz ao marido que está cheia de vontade de comer carne de urubu ao que o marido responde que tal desejo é impossível de concretizar pelo que é melhor ela esquecer tal ideia e voltar a adormecer. No dia em que a criança nasce o pai, estupefacto, repara que sendo ele e a mulher brancos a criança é pretinha e questiona a mulher. A mulher responde "recordas a noite em que pedi carne de urubu e disseste que era impossível? Cá está o resultado, o bebé nasceu preto". O marido, intrigado, telefona à mãe e pergunta-lhe se acha possível que esta explicação seja verdadeira ao que a mãe prontamente responde "faz todo o sentido sim, filho. Quando estava grávida de ti também tive o desejo de comer carne de boi e o teu pai não o atendeu. É por isso que nasceste corno."

 

E pronto, a piada é parva mas acho que dá para perceber a ideia.

 

3. Se a grávida usar chaves ou medalhas ao pescoço a criança nasce com essa marca na pele.

Sabem o que é um chamador de anjos? Cá em Portugal não se utiliza muito, é verdade mas, em países como a Itália, não há uma única grávida que não utilize um ao pescoço. Diz a crença popular que o sininho dentro do chamador badalando a cada passo que a mãe dá acalma o bebé e invoca o anjo que o há-de proteger sempre. Quando o bebé nasce o chamador deve ser colocado no berço do pequeno. Ora bem, eu não sou muito de superstições mas a minha irmã vive em Itália e ofereceu-me um na gravidez do Pedro. Usei sempre (podem vê-lo na imagem que ilustra esta publicação) e o puto não tem um único sinal ou mancha no corpinho. Já a minha mãe diz que deixou cair um caroço de azeitona na barriga quando estava grávida da minha irmã e é por isso que ela nasceu com uma mancha qualquer. Isto também já se sabe que cada um acredita naquilo que quer...

 

4. Passar por baixo de escadas faz com que o cordão umbilical se enrole ao redor do pescoço do bebé

Esta é mesmo daquelas que pronto. Quantos e quantos bebés nascem com circulares do cordão e as mães nem viram uma escada na gravidez inteira? E quantas não passaram debaixo de escadas e os putos nascem maravilhosos sem cordão nenhum a enrolar? Espero que façam um estudo credível sobre isto para sossegar uns quantos espíritos aqui pelo Portugal mais rural.

 

5. Lavar os cabelos após o parto prejudica a recuperação da mãe.

Pronto, agora sim, está tudo explicado. Eis aqui a razão porque andei mais de um mês a penar. Não foi das costelas fissuradas, não foi das tentativas de ventosas e fórcepes falhados, não foi sequer da cesariana. Foi mesmo da triste ideia de me ir meter a lavar a cabeça no dia a seguir a parir. Porque é que ninguém me avisou disto mais cedo? Mãe, falhaste-me assim porquê? É que olhando para esta ideia só vejo vantagens. Aposto que se não tivesse lavado tanto a cabeça nem a queda de cabelo no pós-parto tinha sido a brutidade que foi (juro que achei que ainda ficava careca, tal não eram os novelos de cabelo que ficavam na escova depois de cada passagem). O que vale é que desta vez já sei e vou preparada. Ainda hoje vou fazer a encomenda dos resguardos que não quero depois "olear" as fronhas.

 

6. Comer bacalhau aumenta a quantidade de leite materno.

Nãooooo, mas este mito é dos que tem alguma lógica científica por trás. Ora bem, nós comemos o bacalhau tendencialmente salgado e, portanto, teoricamente isso aumenta a nossa sede. Com mais sede mais água, com mais água mais leite. Fácil. O da cerveja preta (sim, há quem diga que também aumenta a produção de leite) deve vir na mesma onda, mais líquido mais leite, com a vantagem de que deve fazer os putos dormirem melhor à noite (calma, era piada, nada de álcool e pronto).

 

Pronto, fico-me por aqui. Caso conheçam mais alguns mitos patilhem comigo que gosto de ser uma pessoa informada. Aqui ou na página do Facebook em "A mãe imperfeita" (não consigo deixar o link). Até lá tentem não dar muita água das pedras aos vossos filhos amarelos que diz que também não é grande ideia.

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