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A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

17
Fev18

Recados de uma grávida sem filtros

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1. Eu e tu somos muito amigos? Frequentas a minha casa? Falamos sobre séries? Já viajámos juntos? Jogavas basquete comigo quando éramos miúdos? Sabes o nome dos meus pais? Se respondeste afirmativamente à maioria destas questões então "mi casa es tu casa" que é como quem diz que estás autorizado a meter a mão na minha barriga. No caso de resposta negativa peço-te encarecidamente que mantenhas as tuas mãozinhas longe de mim. Deixa-as no teu bolso e, se mesmo assim o frenesim for irresistível, experimenta, sei lá, enfiá-las naquele lugar que nunca vê a luz do sol. Cá ver se nos entendemos, esta barriga é minha e, até onde posso perceber, continua a ser parte integrante do meu corpo. A cena de ter um bebé lá dentro não é tipo um free pass que outorga a toda a gente o direito de se vir aqui esfregar, boa? Portanto não, não é simpático, fofinho ou sequer um bonito gesto da tua parte. É uma devassa da minha privacidade e eu odeio que o faças.

 

2. Reparaste que as minhas maminhas cresceram? Deixa-me parabenizar-te pelo teu incrível poder de observação. Gostava, contudo, de te informar que se pertences ao sexo masculino qualquer comentário a esse respeito vai apenas parecer grosseiro e mal-intencionado, posto isto, deixa-te estar caladinho que assim fazes poesia.

 

3. Estás na fila da caixa no supermercado e não te enquadras na categoria de prioritário nem aqui nem na China? Escusas de me atirar esse olhar que eu não tenho medo nenhum de ti. Quem carrega um puto, ciática, diabetes gestacional e outras complicações que nem queiras saber é, no mínimo, uma super mulher e, vai daí, olhes o que olhares e digas o que disseres vou fazer prevalecer o meu direito. E o meu direito é passar-te à frente. Atira-te ao chão, grita, esperneia. Como diriam ali no outro lado da fronteira "me da igual". Já passei. Adeuuussssss.

 

4. Sim, estou na mesma. Sim, só tenho barriga. Sim, o puto está bem, obrigada pela preocupação. Sabes que na primeira gravidez só engordei 8Kg e pari um rapagão de 3660g às 37 semanas? "Ah e tal, mas é que de costas nem se nota"... Eu sou tão esquisita que, isto há com cada coisa, o meu puto decidiu crescer dentro do meu útero em vez de crescer dentro das minhas nádegas, acham normal? E não, não sou uma Carolina Patrocínio e até estou de molho em casa mas então, não há meio de se me abater aquela fome que faz as pessoas quererem comer o mundo... De qualquer forma, e se isso te sossega, o pai dos putos já deixou claro que não tenciona vender-me ao quilo.

 

5. Não é giro passares a vida a bombardear-me com todas as histórias terríveis sobre partos que conheces. Acredita que tenho imaginação e conhecimentos suficientes para construir os cenários mais macabros e assustadores. Ah, e tive um primeiro parto que foi para cima de uma merda. Ventosas, fórceps, cesariana de urgência, já experimentei um bocadinho de tudo. Estou borrada de medo. E acredita, não é giro incrementar o medo de uma mulher grávida. Fica portanto a informação de que cada vez que começas com um desses relatos de desgraça o meu cérebro inicia um processo de te mandar a uma dúzia de sítios super agradáveis onde o melhor que te pode acontecer é a sodomização à bruta.

 

(Caraças que isto, depois de desabafar, uma pessoa fica sempre muito mais levezinha...)

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