Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A mãe imperfeita

Uma mãe imperfeita, cansada e desarranjada, que veste o puto na Zippy e na Primark e lhe dá Papa Cerelac ao lanche. Às vezes, quando se porta bem, ganha uma bolacha Maria.

18
Fev18

Ser bom pai é pensar nos nossos netos

IMG_0996.JPG

 

Enquanto pais muitas são as preocupações que nos ensombram diariamente. É demasiado difícil não tentarmos prever cenários a médio prazo. Todos os pais querem o melhor para os seus filhos e, não raras vezes, ainda mal nasceram e já pensamos nas escolhas profissionais que farão, nas ferramentas que lhes devemos oferecer. Passamos a vida a desdobrar-nos para chegar a todo o lado tendo sempre como objectivo final dar o melhor aos nossos filhos. Queremos que os nossos filhos sejam importantes, que ganhem o seu lugar, queremos deixar bons filhos para o mundo. Mas será que já parámos para pensar que mundo queremos deixar aos nossos filhos?

 

A comunicação social, nos últimos tempos, tem vindo a passar notícias cada vez mais preocupantes. Na Cidade do Cabo a água está racionada e aguarda-se a chegada do chamado "dia zero": o dia em que ao abrir as torneiras nem uma gota correrá. Com as medidas impostas pelo governo tem sido possível adiar consecutivamente este dia que está agora marcado para quatro de Junho. A seca extrema, que fez cair o nível de água das barragens de 86% em 2014 para 24,9% neste momento, é a grande responsável pela escassez deste recurso mas... Será a única? Será que não continuamos a usar e abusar da água como se ela fosse um bem inesgotável? Será que não continuamos todos nós a desenvolver uma relação promíscua com o recurso mais vital de todos?

 

E se, para alguns, esta parece uma realidade distante deixem-me lembrar-vos que, por cá, não estamos muito longe deste ponto. Como sabem vivo no Alentejo e aqui a seca também é uma realidade. No Verão muitas povoações viram o seu abastecimento de água ser realizado por camiões cisterna e o fluxo de água nas torneiras esteve restrito a poucas horas do dia. Mas as pessoas têm memória curta e parece que já voltámos à abundância costumeira. O problema é que a abundância é ilusória. As nossas barragens continuam secas, o Inverno tem sido muito pouco chuvoso. Quando o Verão chegar teremos problemas bem maiores que no ano passado. Vai-nos valendo o Alqueva. Até quando?

 

Somos pais. É imperativo que sejamos nós a dar o exemplo. É imperativo que sejamos os primeiros a tomar banhos rápidos, a fechar a água enquanto lavamos os dentes, a usar os programas económicos nas máquinas de lavar, a evitar consumos fúteis e desnecessários. E é urgente que passemos estas ideias aos nossos filhos. Eles têm que perceber que é mandatório poupar água hoje se queremos ter água amanhã. Todos temos que ser activistas nesta causa. Cabe-nos a nós, e só a nós impedir que os nossos netos vivam numa realidade em tudo semelhante às que conhecemos das distopias literárias, onde a água é um bem tão escasso que muitos morrem simplesmente por não lhe ter acesso. No ponto em que estamos esta ideia está longe de ser ficção científica. No ponto em que estamos é absolutamente real. E é amoral a forma como a esmagadora maioria da população deste país continua a abusar da água.

 

Não basta deixarmos bons filhos para o mundo. Temos que olhar, também, para o mundo que deixamos aos nossos filhos. E aos nossos netos. Tudo depende de nós. E isso passa, não por inscrevê-los em dezenas de actividas extra-curriculares, mas sim por torná-los cidadãos conscientes, respeitadores e perfeitamente cientes que a água corrente não é um dado adquirido. A água é finita, infelizmente.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D