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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

12
Mar18

Somos todos Gabriel (e todos os meninos do mundo)

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Estão a ver aquela ideia de que depois de nos tornarmos mães ficamos pessoas melhores e mais pacientes? Suponho que sou um caso raro porque, comigo, aconteceu exactamente o oposto. Fui durantes muitos anos activista contra a pena de morte e, por princípio, continuo a defender a ideia de que é imperativo acabar com esta punição. O problema é que depois abro os jornais diários ou ligo a televisão e vejo notícias como a de hoje sobre o menino espanhol desaparecido, cujo corpo foi encontrado no carro da madrasta, e começo a sentir que há um ácido qualquer a corroer-me as veias e a incitar-me à violência. E desculpem que vos diga, e acreditem que até a mim própria me choco, mas bolas, não imagino outro castigo suficiente para esta cadela que não seja a própria morte. Quando estas coisas, que parecem directamente saídas de um episódio de criminal minds, saltam para a vida real confesso que fico sempre chocada; tenho sempre a ideia que são coisas que não acontecem fora dos argumentos das séries americanas de televisão e depois, quando elas praticamente me batem à porta, nunca sei bem o que pensar.

 

Reparem que aquela cabra (desculpem mas hoje a boa-educação não tem lugar aqui) participou activamente nas buscas e esteve sempre ao lado do pais do menino. Caraças que há gente muito doente, ou muito má, nem sei bem. Sei é que com a desculpa do "ser doente" esta gente é internada e fica por cá a poluir o ar que o meu filho respira. Hoje tenho quase a certeza que se me fechassem numa sala com ela e me dessem um taco de basebol eu era menina para dar cabo dela em memória do Gabriel e de todos os "Gabriéis" deste mundo. E pronto, foi isto que a maternidade fez comigo. Eu que antes procurava desculpas para tudo, achava que toda a gente merecia uma segunda oportunidade e abominava completamente a pena de morte, agora transformei-me na pessoa que era capaz de mandar desta para melhor tudo o que é pedófilo ou infanticida.

 

Há uns tempos li no Facebook uma história qualquer supostamente passada na Argentina mas nunca fiquei com a certeza absoluta se era real ou não. A notícia dizia que uma miúda de onze anos, que era constantemente assediada por um homem através do whatsapp, acabou por pedir ajuda ao pai. Parece que o pai se fez passar pela miúda, marcou um encontro com o pedófilo, e só se perderam as que caíram ao chão porque deu-lhe tantas ou tão poucas que ele deve ter perdido a vontadinha toda de voltar a fazer destas gracinhas. Pela parte que me toca fiquei a achar que, se isto for verdade, este pai merecia um prémio e só tenho pena que não se tenha mesmo lembrado de capar o porcalhão.

 

E pronto, já estão todos chocados? Eu também fico, juro. Não sei onde é que mudei e em que ponto me tornei este tipo de pessoa mas, como já escrevi muitas vezes, agora todas as crianças são o meu filho. Suponho que esta premissa tenha feito soltar qualquer coisa selvagem em mim que acabou por toldar o meu racional no que aos miúdos diz respeito. Se é mau? É, sei bem que sim, mas é um bocado incontrolável. E hoje quando o meu filho chegar da creche vou dar-lhe mil beijinhos e prometer-lhe que, no que depender da mãe, estará sempre protegido das "Ana Júlias" desta vida. Seja lá de que maneira for.