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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

11
Fev18

Todos os nomes

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Durante a gravidez há sempre mil coisas que precisam ser decididas. Começando na criopreservação de células estaminais, passando pelo tipo de berço, pelas marcas de produtos de higiene e terminando no nome do bebé, tudo é pensado, esmiúçado e discutido. Como nenhuma marca me paga para publicitar coisa nenhuma deixo-vos o melhor conselho de todos, que é como quem diz escolham aquilo que acharem melhor. Não serão piores pais se não tiverem 1500€ para a recolha das células, não serão piores pais se não tiverem dinheiro para produtos de higiene e fraldas de marca e, bem forrada, acolchoada e limpa, até uma caixa de batatas faz um berço de bebé. Mas o nome do bebé, o nome do bebé é uma decisão do caraças. Uma pessoa escolhe um nome e toma lá, agora vives a vidinha inteira com ele, gostes ou não gostes, sejas gozado ou não sejas, aches digno ou uma vergonha.

 

Se, por um lado existem aqueles casais que, desde o primeiro beijo, decidiram o nome para os filhos, outros há, como este aqui de casa, em que nunca se falou em tal coisa e a decisão é adiada até ao limite. O processo é complexo e deve ter em atenção uma série de critérios, por exemplo, eu não simpatizo com nomes grandes e o pai tem uma tara com nomes de reis. Podia ser fácil porque a lista fica logo reduzida a dez ou onze opções mas depois começa o "esse lembra-me o parvo do não sei quantos", "esse não que rima com nariz", "ai, nem pensar, esse é pouco internacional e não te esqueças que vivemos num mundo global", "esse não pode ser que é o filho da Maria", e quando vamos ver com atenção, todos os nomes foram riscados e ficamos com uma mão cheia de nada.

 

Isto dos nomes, como quase tudo na vida, é uma questão de modas. Eu, por exemplo, sou da geração dos Fábios, das Cátias e das Sandras. Hoje em dia a moda, banindo estes nomes, trouxe os Santiagos e as Biancas (quantos conhecem com mais de vinte anos?). E nada contra os nomes da moda, atenção, só tenho medo é que daqui a trinta anos estejam extintos e a malta que os carrega leve logo com um "2010" na testa.

 

Reparem, por motivos óbvios eu não gozo com o nome de ninguém (excepção feita aos nomes das filhas da Luciana Abreu, mas é porque aquilo não são bem nomes, são combinações aleatórias de letras); para quem não sabe, chamo-me Carmen Isabela. Sem perceber muito bem onde é que o meu pai tinha a cabeça quando me decidiu carregar com esta cruz, tenho pavor de fazer o mesmo aos meus filhos. É por isso que o primeiro saiu Pedro. Quanto muito vai poder acusar-nos de falta de originalidade. Mas lá está, Pedros sempre houve, sempre haverá. E foi isto que respondi a uma senhora, mãe do Cauã, que me disse que Pedro era de uma pobreza quase vulgar. Entre a vulgaridade e a inovação deixem-me lá sossegada.

 

Enfim, tudo isto para dizer que o nome do próximo está complicado. Será que dá para deixar em branco e ele preenche quando fizer dezoito? Não sei se aguento esta responsabilidade outra vez.

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