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A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

A mãe imperfeita

Era uma vez uma mãe que estava tão cansada de ouvir histórias cor-de-rosa sobre a maternidade que decidiu criar um blogue e contar as verdades todas. Agora aguentem-na.

09
Fev18

Vão a pé porra!

 

 

Filas trânsito.png

 

Nasci em 1986. Ainda sou do tempo em que, desde cedo, íamos para a escola a pé. Habitualmente em grupo, era comum que desde a escola primária as crianças fizessem o trajecto montadas nas perninhas sem que, por esse facto, os pais entrassem em modo histeria. Compreendo que os tempos mudaram, compreendo que a segurança é menor, compreendo os perigos e compreendo também que os putos estão muito mais totós nas coisas práticas da vida. Hoje em dia é super natural que uma criança de oito anos tenha um telemóvel de 300€. Já não é tão comum que tenha uma chave de casa. Os putos nascem a saber mexer num tablet mas precisam de chegar à adolescência para conseguir compreender na íntegra o funcionamento de uma passadeira.

 

Ok, estou a fugir ao tema. Quem me conhece sabe (e quem não me conhece fica a saber) que os meus pais vivem, há mais de quinze anos, em frente às escolas na santa terrinha. E eu juro que pensava que era uma coisa típica dali que os pais dessem o tudo por tudo para deixar os putos mesmo, mesmo em frente ao portão da escola (e só não entram com o carro pela escola adentro e deixam os miúdos dentro da sala sabe Deus porquê). Mas não. É um mal, se não global, pelo menos nacional. Não importa se faz sol ou se está a chover, não importa se os miúdos têm seis ou quinze anos. O que importa é atingir o número mínimo de centímetros na distância carro - portão da escola. Deus proteja as criancinhas de terem que dar mais três passos do que o estritamente necessário.

 

E todos os dias a merda é a mesma. De manhã e à hora de almoço as filas são uma coisa medonha. Quem tem pressa que se amole. Se for uma situação urgente? Azar. Azar porque os papás precisam de deixar as criancinhas em cima do portão, azar porque as crianças não podem apanhar mais ar da rua do que o calculado para os metros que separam o portão da escola da porta de entrada do edifício. E depois há a outra parte gira, a parte do ir buscar, ao final da tarde. Os pais chegam ali dez minutos antes do toque de saída e começam todos a estacionar o mais perto possível do portão. Não interessa se com o seu estacionamento bloqueiam um, dois ou dez carros. É preciso é parar ali, em cima do acontecimento, não vão os putos ter um colapso por excesso de oxigénio ou uma rabdomiólise por excesso de esforço físico (sim, que isto hoje em dia andar cem metros é coisinha para despachar um puto). Há uns tempos depois de esperar vinte minutos dentro do carro tive um acesso de loucura (ou de razão) e agarrei-me à buzina. O pai que me estava a bloquear permaneceu impávido e sereno, dedinhos a tamborilar no volante, mas eu, impedida de sair do estacionamento pelo comodismo dos outros, tive que papar com o GNR que me bateu ao vidro a pedir calminha. Calminha é o #$%&"@. 

 

Cá a ver se a gente se entende. Não estou a dizer que os putos têm que voltar ao antigamente e ir para a escola a pé (ainda que só lhes fizesse bem). Mas caramba... Se já não há lugar em frente ao portão é assim tão difícil andar mais cem metros e largar os putos onde já não prejudicam ninguém? E quando os vão buscar, não havendo lugar, será possível que vão estacionar um bocadinho mais longe, tirem o real traseiro do carro e venham esperar os putos a pé? Reparem, assim fora do carro até lhes podem dar um abraço dos verdadeiros. Vocês fazem o vosso trabalhinho e não chateiam ninguém. Todos ficamos felizes e contentes. Abaixo a selvajaria à porta das escolas!!!

 

 

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O blogue tem um header novo! Um grande obrigada à Patrícia Patrocínio que, assim do nada, me fez esta surpresa! =) 

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